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sexta-feira, 21 de maio de 2010

Audálio Dantas em "El Mundo"

De


Leiam no link abaixo a entrevista completa do jornalista e escritor Audálio Dantas para o jornal espanhol "El Mundo", sobre o seu livro "O Menino Lula", que estou lendo e recomendo.

http://www.elmundo.es/america/2010/05/20/brasil/1274359125.html

sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

O menino Lula, do mestre Audálio


Por Nildo Carlos Oliveira


De O menino lula

A história que aqui se conta poderia ser mais uma variação sobre o mesmo tema: os retirantes nordestinos pendurados nos paus de arara rumo aos cafezais, à construção civil ou às metalúrgicas paulistas. O personagem seria apenas mais um, dentre milhares de outros que igualmente se aventuraram por estradas, rios, planícies e montanhas, num estirão de 3 mil quilômetros, para tentar a sorte em São Paulo.


Mas a história, como é contada, deixa de ser apenas mais uma história, e o personagem, vindo lá debaixo, daquela faixa de sombra onde pobreza e miséria se confundem, destaca-se em razão de uma trajetória sindical e política em cujo contexto histórico conquistou a Presidência da República. Outros se tornaram operários, escritores, poetas, jornalistas, empresários, vendedores, políticos, pastores protestantes, vagamundos ou desapareceram no campo ou na cidade, esmagados na engrenagem de uma sociedade que trata os iguais seletivamente.


O livro O menino Lula, escrito por Audálio Dantas e editado com ilustrações do poeta da xilogravura Jerônimo Soares, numa publicação da Ediouro, lançado recentemente na Livraria da Vila, em São Paulo, é fabulado com o toque, o sentimento e a visão de um mestre da escrita. O autor trata os fatos reais ali narrados com o mesmo cuidado com que trataria o melhor conteúdo ficcional.


Estão ali todos os elementos que mostram uma família desprotegida, entregue ao abandono secular do Nordeste desvalido; o pai, a mãe, os garotos, o cachorro Lobo, farejando os despojos na despedida dos meninos que se preparam para a longa jornada de 13 dias rumo ao Sul.


Ganham relevo os problemas vividos pelo menino Lula, que vai crescendo em um mundo onde não se tinha sequer o mínimo para a subsistência. Registra-se o espanto dele diante de uma novidade surgida no sertão pernambucano: uma bicicleta. Como seria possível alguém se equilibrar e se movimentar em cima de duas rodas? O horizonte palpável, dele e dos irmãos, estava limitado pelo terreiro da casa, o pé de mulungu, o caminho da roça, a venda de seu Tozinho e o açude.


Mas esse mundo, estreito e sem expectativas, ficou abalado com a decisão da matriarca de sair de Pernambuco, com os filhos, para São Paulo. Foi em dezembro de 1952, quando o sol, incendiando o chão, prenunciava a seca. A família deixou tudo, para viajar equilibrada em tábuas sem encosto, colocadas transversalmente na carroçaria de um caminhão, carregando as miudezas essenciais e os mantimentos da sobrevivência: farinha de mandioca, carne seca, galinha cozida, rapadura e bolacha. No caminho, o alumbramento diante do rio São Francisco. - O mesmo espanto que marcou a retina de tantos outros retirantes que por ali passaram. No fundo, a travessia sobre o velho Chico preserva um significado simbólico: um divisor de água entre passado e futuro.


Estão bem caracterizados, na trama, o pai Aristides, que recebeu a família em Santos depois de abandoná-la em Caetés, no sertão, e que nunca deixava de comprar o jornal Tribuna de Santos, embora não soubesse ler; a mãe, dona Lindu, que nos momentos traumáticos era quem decidia e definia o destino da família, e os irmãos de Lula. A narração, enxuta, trabalhada com a inspiração de um texto de Graciliano, mas sem a causticidade do mestre de Vidas Secas, nos dá um quadro da infância e da adolescência do personagem que chegou à Presidência da República.


O livro, mesmo quando trata da miséria do mundo adulto, mantém a graça do menino, numa biografia leve, compassada, concebida sem a pretensão de criar um mito ou um herói; apenas a vida de um retirante que deu certo.




segunda-feira, 23 de novembro de 2009

O menino Lula - realese

Duas postagens abaixo há o convite para o lançamento do livro "O menino Lula", do escritor e jornalista Audálio Dantas. Hoje publico o release e um pequeno trecho do livro, para que os leitores do blog tenham conhecimento, de antemão, dessa história de superação de um nordestino que não desistiu nunca. O livro custará uma bagatela e não será desculpa para não se comprar.



De 4ª Bienal do Livro de Alagoas



O Menino Lula – A história de uma infância sem alegria

Audálio Dantas narra, em texto emocionante, a saga do pequeno retirante
que chegou à Presidência da República

O lançamento pela Ediouro acontece em São Paulo, na Livraria da Vila (Alameda Lorena, 1731), dia 28 deste mês, a partir da 11 horas.

Uma obra impregnada de emoções reais, onde cada lembrança é lâmina cortante, a quase restauração das dificuldades e sofrimentos da família Silva no agreste pernambucano ou nas bordas de cidades do Sudeste. O livro O Menino Lula, mais do que acrescentar tintas míticas à imagem do Presidente Lula, reconduz Luiz Inácio da Silva aos seus iguais: tantos e tantos nordestinos que ainda hoje nascem e se mantém em vida como a confirmar a existência de milagres.

Audálio Dantas – reconhecido como um dos textos mais brilhantes do jornalismo brasileiro – escreveu O Menino Lula depois de uma longa conversa, em julho deste ano, com o presidente. Parte dessa história o autor já conhecia, seja porque ele e Lula tenham participado de lutas sindicais e políticas contra a ditadura militar, nos anos de 1970 e 1980, ou pelo fato de Audálio também ter migrado, ainda menino, do sertão nordestino, e depois, como repórter, conhecido de perto os problemas que afetam a região.

O Menino Lula é uma história sem alegrias. Lula nem acha que teve infância, no sentido da evolução lúdica de que todas as crianças deveriam desfrutar. Naquele casebre de Caetés, então um distrito do município de Garanhuns, muitas vezes faltava água e faltava pão; havia apenas um grupo de seres humanos – uns quase bebês, outros adultos – acoitado pelo instinto vital da sobrevivência. Nesse cenário sem cor, as lembranças que em Lula se fixaram são aquelas que se sobrepujaram em sofrimento, como a da partida da família num caminhão pau-de-arara, deixando para trás, desesperado, o único bicho de estimação, um cachorro chamado Lobo. O caminhão atravessou seis Estados e, ao final de treze dias de viagem, descarregou a família – Dona Lindu e sete de seus filhos – em São Paulo.

O Menino Lula é completado com várias fotos do acervo pessoal da família de Lula e por xilogravuras do paraibano Jerônimo Soares, um dos mais importantes ilustradores de cordéis do Brasil.

O jornalista Ricardo Kotscho, que fez o prefácio de O Menino Lula, diz que, para quem não conhece o Brasil e seu Presidente, o livro poderá parecer uma ficção, mais um romance fantástico de Gabriel Garcia Marquez. “Esse livro, porém, é uma prova de que, querendo, tudo é possível. Até mesmo mudar o nosso próprio destino”, escreve Kotscho.

Audálio Dantas é jornalista e escritor, ex-presidente do Sindicato dos Jornalistas de São Paulo, ex- deputado federal. Escreveu, entre outros livros, O Circo do Desespero, Repórteres, O Chão de Graciliano (Prêmio APCA 2007) e A Infância de Graciliano Ramos (Prêmio Fundação Nacional de Literatura Infantil e Juvenil).


Ficha Técnica:
Livro: O Menino Lula – A história do pequeno retirante que chegou à
Presidência da República
Autor: Audálio Dantas
Nº de páginas:120
Preço sugerido: R$ 26,90.
Serviço de Atendimento ao Leitor: (21) 3882-8416



Trecho do livro gentilmente cedido pelo autor para divulgação no blog:

"DE REPENTE, O CHEFE DA FAMÍLIA ANUNCIOU: “VOU PRA SÃO PAULO”

O pai da família, Aristides Inácio da Silva, tinha saído de casa quando Lula estava para nascer. Foi de repente. Um dia, já anoitecendo, ele anunciou:

– Vou embora pra São Paulo.

D. Lindu, de nome completo Eurídice Ferreira de Mello, ficou ali, num espanto tão grande que nem conseguiu perguntar a razão daquela partida. Com sua barriga enorme, deixou-se ficar encostada na porta da casa, enquanto o marido, caminhando a passos largos, sumia na escuridão da noite.

Não demorou muitos dias para o menino Lula nascer. Foi no mês de outubro de 1945. Mesmo em seu desamparo, D. Lindu sorriu de alegria quando viu o filho.

Os tempos ficaram mais difíceis com a ausência do chefe da família. As reservas de comida – algum feijão, milho e farinha – foram acabando. As coisas só não ficaram piores porque o tio José, irmão de Aristides, prestava um socorro de vez em quando. Ele emprestou até uma vaca para D. Lindu. Era para não faltar leite para a meninada.

A situação melhorou um pouco quando Aristides, que arranjara um emprego de estivador no porto de Santos, começou a mandar algum dinheiro para D. Lindu.

Mas era um dinheiro incerto. Passavam-se meses sem que chegasse nada. D. Lindu enfrentava com coragem as dificuldades. O menino Lula, ainda pequeno, vivia agarrado à sua saia. Mas na hora de ir para a roça, não tinha jeito, deixava-o com a filha maior, a Marinete, arrebanhava os outros filhos e ia cuidar das plantações."

Para saber mais, só aguardando o lançamento do livro.