Mostrando postagens com marcador Luiz Eudes. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Luiz Eudes. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 30 de março de 2010

Semana Santa - Momento de Reflexão

Por Luiz Eudes


De Paixão de Cristo



Desde que me entendo por gente que ouço a minha avó Iná falar:

– Jesus morreu para livrar-nos do pecado. É verdade. Ocorre que alguns homens são maus e permearam novamente o mundo de pecados. E todos os anos é celebrada a Paixão de Cristo numa tentativa de nova remissão.

No arraial do Junco a comemoração da Paixão de Cristo é preenchida com celebrações de missas, confissões comunitárias, procissões pelas ruas da cidade e o acender de velas e badalar de sinos. Também há a encenação ao ar livre da Paixão de Cristo, com grande presença de público, que, ano pós ano, desde a primeira encenação nos anos 1980, vai às lágrimas com o calvário vivido por Cristo.


Este ano a minha filha Sarah, 13 anos, chegou a casa com a novidade de que irá participar da confissão comunitária promovido pelo novo sacerdote da Paróquia, embora eu duvide de que, com essa idade, tenha alguma pendência com o Divino. Os participantes da confissão comunitária ficam obrigados a participar de todos os eventos religiosos da comunidade.

A Semana Santa é o momento oportuno para comungarmos com nosso próprio eu, nessa busca incansável da remissão dos pecados e do combate sem trégua aos nossos conflitos interiores.

Portanto, seguindo os passos daquele que veio para salvar o mundo, desejo aos leitores do blog Onde Canta a Acauã, principalmente aos da minha terra, uma semana de intensa reflexão, culminando com uma feliz Páscoa.


N.A. – Quero render homenagem aos meus tios Fernando – in memoriam – e Antonieta, pioneiros na encenação da Paixão de Cristo.

sábado, 19 de dezembro de 2009

Noite de Natal

Por Luiz Eudes


De Presépio

A tarde vai embora calma e lentamente. A noite chega soberana. O homem para o carro na praça. Há moças na calçada de uma casa grande. São suas primas. O homem está acompanhado da sua filha. Uma das moças os convida a entrar. Eles entram por um corredor. A moça abre a porta da sala ao lado. Um mundo encantado surge num momento mágico: é o presépio de Dona Sinhá que há muitos natais faz brilhar de encantamento os olhos das crianças.


Dona Sinhá foi quem criou aquele espetáculo para animar as noites natalinas do Junco. Hoje ela arma lapinhas com os anjos e santos no céu. Um céu sempre azul e iluminado. Lá de cima ela observa as crianças que todas as noites de dezembro visitam a sua casa e, atentas, observam o músico anunciando por seu tambor a chegada de Papai Noel, que sobe a escada e dança twist. No presépio há um convívio fraternal do animado gorila com o pacato burrinho, do cantante pássaro azul com as silenciosas borboletas, dos peixes e cobras que, de longe, miram os animais sagrados: a vaca e a ovelha, o galo e o jumento.


É noite de Natal e no centro de tudo está a representação do nascimento de Cristo. Dona Sinhá montava o presépio seguindo uma tradição iniciada por São Francisco no século XIII. Quando ela partiu ao encontro com Deus, suas filhas e colaboradoras resolveram homenageá-la colocando uma foto sua na parede da sala e dando seguimento ao seu projeto, sabendo que lá no alto ela iria montar um novo presépio, com anjos e santos de verdade, tendo o Menino Jesus Cristo ao vivo e a cores.


A menina e seu pai estavam encantados com tudo aquilo. O homem se lembrava de antigos natais quando vinha com os seus amigos e ali ficavam horas a contemplar, alegrando-se com tudo. A menina também se sentia assim. A sala foi invadida por uma pequena multidão de curiosos. As crianças chegavam e logo atrás vinham os seus pais que também queriam participar da festa.


O homem se lembrava de quando ia aos grotões dos Pilões buscar ramas de barba de velho, catava pedrinhas nas barrancas do açude, cessava areia da velha praça empoeirada e apanhava barro tauá no barrocão do Junco para fazer as imagens que enfeitavam a lapinha de uma das suas irmãs.


E como era bonito tudo aquilo. E o homem, naquela noite, pensava nos meninos andarilhos pelos caminhos das roças iluminados pela beleza cósmica da Lua e protegidos por São Jorge, o Santo Guerreiro. Aqueles meninos talvez não conhecessem o presépio de Dona Sinhá, talvez nem soubessem o que é um presépio, mas o que lhe confortava era saber que a lua nasce para todos, não importa onde esteja e, quando a noite termina, momentos e palavras se eternizam.

terça-feira, 26 de maio de 2009

Letras do Junco, literatos de Sátiro Dias

Por Luiz Eudes


Fotos retiradas do Orkut de Cristiana Alves


Seria uma semana como outra qualquer na capital baiana. Seria se não fosse o fato de que naquela semana estiveram reunidos no Centro de Convenções da Bahia escritores de todo o país. O local transformou-se em um celeiro de intelectuais, editores e livreiros em busca de solo fértil onde pudessem semear letras aos montes e colher leitores. Afinal já dizia o vate Antônio de Castro Alves “Bendito seja aquele que semeia livros as mãos cheias”. Então, porque não semear?


Seria uma tarde de domingo como outra qualquer se três junquenses não estivessem na grade de programação dos semeadores da Bienal do Livro da Bahia: Cristiana Alves, poetisa e cronista, lançando o seu mais novo livro “Sabor de uma lembrança” em tarde concorrida, reunindo boa parte do povo letrado do Junco no estande da Litteris Editora onde este aprendiz de escriba também autografou a sua participação no “O que é que a Bahia Tem”, não sem antes ter sentado na mesa da Câmara Baiana do Livro para assinar o “Contos e crônicas para viagem”.


O final se fez feliz quando o Café Literário ficou repleto de estrelas da literatura baiana sob o comando do melhor de todos de toda a sua geração, o junquense Antônio Torres (brilhante escritor e melhor ainda como amigo) que falou para uma platéia atenta e capaz de apanhar os frutos da colheita.


Seria uma semana como outra qualquer se três literatos não tivessem levado o seu povo a desfilar sua simpatia e simplicidade entre livros e autores no coração da intelectualidade baiana, brasileira e, também, estrangeira.


E viva o Junco! Viva Sátiro Dias!