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terça-feira, 14 de setembro de 2010

A Natureza Se Faz Presente - Rita Jankowski



De Ipê



A beleza das obras literárias de Antônio Torres assemelha-se à florada dos ipês. Sua nobreza, harmonia e grandeza seduzem nossos olhares de leitores contemplativos.
A origem da exuberância em talento deste escritor possui raízes de sustentação e absorção profundas e vigorosas nos valores de uma bela e numerosa família do sertão nordeste da Bahia. Lá, onde o amor familiar foi alento durante os longos períodos de hegemonia do sol a enrugar a terra. E foi neste mesmo cenário, onde a escassez da umidade do solo determina destinos, que a carreira literária de Antônio Torres veio a ser a primeira das muitas florescências em meio aos irmãos literatos igualmente bem sucedidos. Pouco após a época das primeiras letras, iluminada pelo amor materno de D. Durvalice, a emoção ao declamar Castro Alves veio à flor do rosto. A professora passara a ser D. Serafina e os ouvintes já não eram mais os do âmbito familiar, mas os de um convívio a céu aberto de toda uma cidade. Junco foi não somente o local de nascimento de um sertanejo como o de um sertanista.

Em Essa terra, Antônio Torres, no papel de sertanista, descreve a fotossíntese das árvores esparsas sob temperaturas abrasadoras; no papel de beletrista revela a foto - síntese de conterrâneos unidos em situações desoladoras.

Semelhante ao ipê que se adapta a terrenos secos e pedregosos, Antônio Torres soube amoldar em Um cão uivando para a lua, O cachorro e o lobo e em Pelo fundo da agulha, a aridez e os obstáculos que todos nós conhecemos, ao longo do tempo, nos compromissos familiares e profissionais. Contrabalanceou olhares opacos e brilhantes ao analisar as etapas da vida. Pelo fundo daquela agulha passou uma poesia completa contida somente em três frases:

“Amor rima com flor. E também murcha. Ficam os espinhos nas extremidades dos caules“.


Entretanto, sua experiência deixou a cargo da sucessão das estações o que pertence ao tempo. Este de tudo se encarregou. Esta prova está também em Sobre Pessoas. Um relato da versatilidade de um profissional que se dedicou às diversas culturas no campo do Jornalismo e da Publicidade e que compartilha as alegrias de um mestre no cultivo das amizades. Conserva na madeira impermeável do tronco, como em um frondoso ipê, um coração que se opõe às diversas formas de racismo, como o fez com propriedade na crônica O lado infame do genial Borges. Para reforçar esta luta, na tentativa de diminuir preconceitos e aumentar a paz, recordo-me de um conselho em espanhol “Doctor se hace, senõr se nace“, o qual adapto em “Doutor por formação, cavalheiro por nascimento.”

Ao reunir crônicas referentes ao mesmo tema, em Sobre Pessoas, o carinho do autor presta homenagem a diversos amigos de forma similar à da natureza, com pequenos buquês, a avolumar as copas dos ipês. E mesmo os amigos que já não mais sorvem a seiva desta vida, agora, prestam homenagem ao dileto Antônio e à sua cidade natal, juncando o solo ao redor deste ipê com a eterna beleza de suas flores.

E é chegado o momento quando a floração violácea do inverno dá as boas vindas aos dias de primavera refletidos na inflorescência amarela da árvore símbolo do Brasil. Este se adorna, também, para mais uma celebração da vida __ os setenta anos do amado escritor Antônio Torres no dia 13 de setembro. As sementes de seu talento, conhecimento e ensinamento foram dispersas pelos ventos nas mais variadas paisagens citadinas e campesinas mundo afora. Para expressar os votos de todos os amigos para uma vida longa,a natureza se faz presente.

Nota do blog: Ontem, dia 13 de setembro, o escritor Antonio Torres completou 70 anos.




domingo, 10 de janeiro de 2010

Rita Jankowski - Ao Professor Antônio Torres



Três meses após a I Bienal do Livro de Curitiba, que ocorreu entre 27 de agosto e 04 de setembro de 2009, confirmo o previsto: o tempo deve ser medido conforme A.B e D.B, a saber : Antes da Bienal e Depois da Bienal.

Em face da variedade de temas e oficinas deste evento, cuja excelente curadoria foi de Alcione Araújo, asseguro que estava tão entretida que vi o tempo passar. O marco foi bem delimitado pelos valiosos profissionais do universo cultural que aqui contribuíram para o aprimoramento do saber.

Tive a satisfação de ser aluna do professor Antônio Torres durante os três dias da oficina de crônica. Já na véspera do término daquelas aulas desejei escrever intensamente. Analiso que a escolha de "véspera do término" foi minuciosa, tendo como objetivo a tentativa de prolongar o tempo. É indubitável que este foi insuficiente perante tanto conhecimento do estimado professor Antônio Torres. Sinônimo de uma de nossas inúmeras riquezas nacionais, suas obras literárias florescem mundo afora. Embelezam almas de professores universitários e jornalistas que publicam comentários em meios de comunicação de renome. Ademais, o vocabulário de Essa terra e O cachorro e o lobo foi selecionado pelo ilustre Aurélio Buarque de Holanda Ferreira e contribui para o magnífico dicionário.

Na arte da escrita, seu conselho de "ver antes de escrever" foi harmonizado com as "cores, formas, temperaturas, perfumes, sons, texturas e sabores" decorrentes da gama de atividades durante a oficina de crônica. A partir das aulas, ao som de Thelonius Monk e Miles Davis, a musicalidade da vida tornou-se mais intensa. A leitura da crônica de Rubem Braga - Aula de inglês - trouxe a riqueza do entrelaçamento dos idiomas.

No dia 4 de setembro, por volta das seis da manhã, ritmo acelerado para concluir a crônica que seria lida, olhos nos olhos, em homenagem ao professor Antônio, senti-me à vontade para compartilhar alguns verbos de percepção utilizados nas aulas de inglês que leciono. Ao longo das horas de aprendizado na oficina de crônica, a análise com minudência de tais verbos tornou-se obrigatória.

Caminhei entre o to stare (olhar fixamente, com interesse, perante cada comentário), o to look at (ollhar com direcionamento, atraída pelas peculiaridades das crônicas), o to look for (olhar, procurar, igual a um garimpeiro ciente de tanta riqueza de detalhes das explicações). Segui para o to gaze (olhar com admiração, com ternura, pelo seu comprometimento em prol da cultura nacional e internacional e pela modéstia exemplar).

Para as frases de despedida , a pluralidade dos estilos concentrou-se no clássico . Mais formal, to look forward to hearing from you (aguardar com prazer para receber notícias suas), foi um alento para a tristeza da iminente separação de um grupo de alunos com perguntas instigantes e um professor instigador.

Atualmente a amizade formada entre todos os participantes daquela oficina é conservada pela comunicação através de computador e encontros em eventos culturais. É gratificante ler crônicas de colegas que já se aventuram neste gênero literário. Quanto às aulas de idiomas que ministro, estas são enriquecidas pelos textos dos professores e jornalistas de diversos países com comentários sobre o perfil do autor Antônio Torres

O amor pátrio é intensificado a cada análise das obras literárias. Alunos e professora brasileiros têm a satisfação de apresentá-lo aos alunos estrangeiros. Todos se sentem motivados a escrever, seja sobre a vida pessoal ou profissional, a vivenciar uma situação única de proximidade com o autor e a divulgar suas obras com mais orgulho e detalhamento.

Para transmitir os agradecimentos ao professor Antônio Torres e a todos que contribuíram para a distinção entre A.B e D.B, recordo-me de um conselho recebido de meus primeiros professores: “Agradecer, além de ser uma das mais belas virtudes, é um dever”.

Para dissipar as saudades de todos, faço uso da bela e esperançosa expressão “see you soon”: até breve!

Rita de Cássia Klosienski Jankowski
Curitiba, 10 de dezembro de 2009.