Esta foi contada por Jânio Esiquiel.
"Em meados dos anos 90 o então prefeito Wilson Cruz fez um carnaval fora de época no Junco para comemorar a emancipação política da terra. Trouxe um dos melhores trios elétricos da Bahia. Era um caminhão tão grande que alguns amigos e eu ficamos com medo quando o vimos descendo a Ladeira Grande.
A cidade estava em festa. Meios-fios pintados, foguetório explodindo no céu e o povo exibindo suas melhores vestimentas. O trio elétrico começou a tocar e o povo, em vez de pular, ficava olhando admirado. Por volta do meio-dia, quando a cachaça subiu à cabeça, alguns arriscaram abrir a rodinha. Um gaiato, bêbado, deu um soco no motorista do trio. Confusão maior não teria se tivesse batido no prefeito. O trio parou, o povo cercou o valentão e a polícia o levou preso.
Como é costume em toda cidade pequena o prefeito mandar prender ou soltar, uma fila se fez ao redor de Wilson pedindo para que o arruaceiro fosse solto. Era coisa da cachaça e coisa e tal e, sob tal argumento, Wilson pegou o microfone do trio e ordenou que os policiais o soltassem. Outra fila de descontentes se formou, alegando que o cara era arruaceiro, sempre arranjava confusão e ia terminar com a festa. Wilson tornou a pegar o microfone e mandou os policiais prender novamente o valentão. Nova fila de cabos eleitorais pedindo a favor do preso, que era coisa da juventude e que ele ia se comportar.
Quando os soldados iam chegando à porta da Delegacia, ouviram nova ordem do prefeito mandando soltar o preso. Antes que o mesmo desaparecesse no meio da multidão, o prefeito deu nova ordem de prisão. Com a polícia ainda no meio do caminho, o arruaceiro subiu no trio, pegou o microfone e falou revoltado para o prefeito:
– Porra, Wilson! Afinal de contas, vai me prender ou vai me soltar?! Resolva logo essa porra!"