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domingo, 7 de julho de 2013

Casamento da Rosinha 2013

Há 34 anos que o povo sobe e desce nessa procissão de fé etílica que acontece todo dia 24 de junho. Romaria só comparada à de Padre Cícero Romão Batista. Abaixo, uma amostra do que foi este ano.

sábado, 10 de julho de 2010

O Casamento da Rosinha - Ronaldo Torres








PANIS ET CIRCENSE
S

“É preciso repensar o São João de Sátiro Dias”, assim se expressou o prefeito do arraial do Junco, um pequeno ponto no mapa das carências, a esse escriba que vos fala, numa manhã chuvosa de Alagoinhas, antevéspera do são João.

– Estou gastando trezentos mil reais com a contratação de duas bandas, fora as exigências de contrato.

“Pelo preço, deve ser Chiclete Com Banana”, pensei cá com meus botões. Não era. Tratava-se dessas bandas de forró eletrônico chamadas “oxent-music” que proliferam no Nordeste e ninguém sabe a diferença de uma para outra.

– Trezentos mil... esse dinheiro daria pra construir quantas casas, prefeito?
– Mas é o povo que quer.

O povo quer comida, saúde, escola para os filhos.

– Aqui em Alagoinhas, quando o prefeito Joseildo acabou com a farra dessas bandas e empregou o dinheiro na cidade, o povo reclamou no primeiro ano; no segundo, todo mundo lhe deu razão e ele foi reeleito com mais de setenta por cento dos votos.
– Ah! Mas o povo de lá não pensa assim não.

Quem não conhece, pensa que o arraial do Junco é uma cidade rica, que tem dinheiro sobrando e pode se dar ao luxo de promover mega eventos por pura vaidade. Não. O IDH é um dos mais baixos do Brasil, o desemprego é alto, o que força o êxodo, a Saúde é precária, Educação, idem, Segurança Pública inexiste e a zona rural é desassistida e em alguns povoados o povo bebe água salobra porque a Prefeitura alega falta de verba para consertar as bombas d’água que bombeariam a água dos poços artesianos. Mas, faça-se justiça: o prefeito tem conseguido um grande avanço na melhoria da qualidade de vida da população.

Como não sou afeito a esses agouros que a linda juventude chama de música, torci o nariz para a programação junina que a Prefeitura do arraial do Junco promoveu até as vésperas do São João. Viajei no dia 24, dia do Casamento da Rosinha, uma invenção do meu primo Arizio para tirar o povo do marasmo e que deu certo. A cidade e a roça se mobilizam em torno desse evento e durante todo o dia a diversão é garantida ao som do autêntico forró pé de serra, banda de pífano, bumba-meu-boi e o desfile de bonecos gigantes. A multidão acompanha o cortejo a pé, de carro, de cavalo, de jegue ou de carroça pelos becos e ruas da cidade, parando na Praça central onde acontece o dito “casamento”. Este ano, completou o 31º desfile.

Cheguei ao Junco na certeza de que o povo irradiava felicidade por conta das atrações tão cantadas nos jornais da Bahia, mas o quê! Só ouvi reclamação, principalmente pela ideia um tanto estranha de se contratar banda de reggae para tocar em noite de São João numa cidade em que o povo é genuinamente forrozeiro. Uma das bandas do cachê exorbitante fora rebatizada para “Dejafui”, em referência ao nome “Dejavú”.

A minha leitura é pouca para entender os notáveis da terrinha. Nesse preço, e sem agradar nem a gregos nem a baianos, dou razão ao prefeito quando ele diz que é necessário repensar os festejos juninos principalmente depois que lhe fiz outra pergunta, ainda em Alagoinhas:

– Quanto a Prefeitura destinou para o Casamento da Rosinha?

Ele alargou um sorriso de satisfação, daqueles de quem pratica o grande ato da Suprema Bondade, o realizador de sonhos impossíveis, o patrocinador das grandes causas, cuja falta de ajuda não seria possível se realizar.

– Dei um mil reais pro Casamento da Rosinha.
– !?!?!?