quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

Edna Lopes - Amar se aprende amando*

No retorno ao trabalho reencontrei uma colega que me pediu para conversarmos um pouco sobre o trabalho que a mesma realiza com adolescentes sobre orientação afetivo-sexual. Os problemas se repetem ano a ano: meninos e meninas com os hormônios em ebulição e a comunidade escolar despreparada para lidar com isso.

Comentamos principalmente como tem sido difícil lidar com a questão. Aparentemente a modernidade parece que já deu conta disso, pois bem ou mal a mídia tem ocupado o lugar dos pais e da escola em relação à educação das relações de convívio. 

Em minha opinião de mãe, educadora e mulher, ocupado mal, pois apenas despeja sem reflexão nenhuma algumas questões ligadas ao exercício da sexualidade. A informação é fundamental, mas não determinante para que meninos e meninas compreendam e, no tempo certo, possam viver sua sexualidade de forma saudável e responsável.

Da minha experiência como Coordenadora Pedagógica lembro o quanto os professores alegavam dificuldades para trabalhar determinadas questões em sala de aula, principalmente os conflitos que ali surgiam. Lembro que, salvo exceções, lidei com professores (as) constrangidos (as), sem habilidade para abordar os assuntos e na maioria das vezes, desinformados (as), preconceituosos (as).

Além das informações básicas é preciso, principalmente, superar o preconceito para abordar questões que podem ser embaraçosas, num primeiro momento, mas absolutamente necessárias para que pais e educadores exerçam, responsavelmente, seu papel.

Um problema que tem se agravado é o da Gravidez na Adolescência embora as campanhas para orientar o uso de preservativos (e até a distribuição gratuita) sejam constantes, mas para um trabalho realmente educativo, não basta apenas orientar o uso nem fornecer o preservativo. Orientar para o exercício da sexualidade com responsabilidade exige uma consciência das consequências de todos os atos que a envolvem.

Vejamos esses dados:

* No Brasil, 28% dos Partos do SUS ocorrem em garotas entre 10 - 19 anos. Isto significa que a cada 100 bebês que nascem em nosso país, 28 são filhos de mães adolescentes.
* Evasão Escolar - 25% das meninas entre 15 e 17 anos que deixa a escola fazem isso por causa da gravidez.
* Aumento da Pobreza- A Escolaridade da mulher é um fator relevante na avaliação do índice de desenvolvimento humano de uma população. Fonte: http://www.kaplan.org.br

Talvez esses argumentos não sejam suficientes para que todas as escolas se empenhem nessa tarefa, colocando nos seus projetos pedagógicos e nos currículos, estratégias para abordar uma questão tão séria e preocupante, entretanto é dever de pais e mães e todos os (as) educadores (as) fazerem sua parte, exigindo das mesmas que esse trabalho se inicie o quanto antes, lembrando que as dimensões do Cuidar e do Educar não são restritas a Educação Infantil, mas diz respeito a toda Educação Básica.

Amar se aprende amando, diz o poeta. Viver uma sexualidade saudável e responsável também se aprende na escola e na vida, mas é preciso mais que hormônios em ebulição para exercê-la. É preciso informação, disposição, saúde, sensibilidade para se entender/conhecer e entender/conhecer o outro. É preciso sobretudo seriedade e um olhar verdadeiramente humano e sensível para o que realmente importa.

*Amar se Aprende Amando é o penúltimo livro do poeta Carlos Drummond de Andrade publicado em vida, e que traz cerca de 70 poemas.

Resumo do livro:
Há de tudo neste desconcertante e caliente "mafuá" que agora se lê sob o título de Amar se Aprende Amando, no qual se colhem de imediato duas raras lições: uma primeira, de ousada simplicidade e que se dá logo à tona de seu enunciado, onde o autor permite a audácia de reunir três verbos, cada um deles em voz distinta; e uma outra, mais funda e talvez difícil, que nos ensina essa prática (tão trivial não fosse hoje absurdamente anacrônica) cuja eficácia reside apenas na elementar e irretorquível verdade de que só se aprende mesmo fazendo. http://www.coladaweb.com


Um comentário:

Toninhobira disse...

O mais grave de tudo isto é que muito mais critico do que a gravidez a vulnerabilidade a AIDS, que não perdoa.MATA!!! Muito interessante a postagem quisera tivesse acessibilidade muito maior que esta de blogs.Parabens a querida Edna.