domingo, 10 de janeiro de 2010

Rita Jankowski - Ao Professor Antônio Torres



Três meses após a I Bienal do Livro de Curitiba, que ocorreu entre 27 de agosto e 04 de setembro de 2009, confirmo o previsto: o tempo deve ser medido conforme A.B e D.B, a saber : Antes da Bienal e Depois da Bienal.

Em face da variedade de temas e oficinas deste evento, cuja excelente curadoria foi de Alcione Araújo, asseguro que estava tão entretida que vi o tempo passar. O marco foi bem delimitado pelos valiosos profissionais do universo cultural que aqui contribuíram para o aprimoramento do saber.

Tive a satisfação de ser aluna do professor Antônio Torres durante os três dias da oficina de crônica. Já na véspera do término daquelas aulas desejei escrever intensamente. Analiso que a escolha de "véspera do término" foi minuciosa, tendo como objetivo a tentativa de prolongar o tempo. É indubitável que este foi insuficiente perante tanto conhecimento do estimado professor Antônio Torres. Sinônimo de uma de nossas inúmeras riquezas nacionais, suas obras literárias florescem mundo afora. Embelezam almas de professores universitários e jornalistas que publicam comentários em meios de comunicação de renome. Ademais, o vocabulário de Essa terra e O cachorro e o lobo foi selecionado pelo ilustre Aurélio Buarque de Holanda Ferreira e contribui para o magnífico dicionário.

Na arte da escrita, seu conselho de "ver antes de escrever" foi harmonizado com as "cores, formas, temperaturas, perfumes, sons, texturas e sabores" decorrentes da gama de atividades durante a oficina de crônica. A partir das aulas, ao som de Thelonius Monk e Miles Davis, a musicalidade da vida tornou-se mais intensa. A leitura da crônica de Rubem Braga - Aula de inglês - trouxe a riqueza do entrelaçamento dos idiomas.

No dia 4 de setembro, por volta das seis da manhã, ritmo acelerado para concluir a crônica que seria lida, olhos nos olhos, em homenagem ao professor Antônio, senti-me à vontade para compartilhar alguns verbos de percepção utilizados nas aulas de inglês que leciono. Ao longo das horas de aprendizado na oficina de crônica, a análise com minudência de tais verbos tornou-se obrigatória.

Caminhei entre o to stare (olhar fixamente, com interesse, perante cada comentário), o to look at (ollhar com direcionamento, atraída pelas peculiaridades das crônicas), o to look for (olhar, procurar, igual a um garimpeiro ciente de tanta riqueza de detalhes das explicações). Segui para o to gaze (olhar com admiração, com ternura, pelo seu comprometimento em prol da cultura nacional e internacional e pela modéstia exemplar).

Para as frases de despedida , a pluralidade dos estilos concentrou-se no clássico . Mais formal, to look forward to hearing from you (aguardar com prazer para receber notícias suas), foi um alento para a tristeza da iminente separação de um grupo de alunos com perguntas instigantes e um professor instigador.

Atualmente a amizade formada entre todos os participantes daquela oficina é conservada pela comunicação através de computador e encontros em eventos culturais. É gratificante ler crônicas de colegas que já se aventuram neste gênero literário. Quanto às aulas de idiomas que ministro, estas são enriquecidas pelos textos dos professores e jornalistas de diversos países com comentários sobre o perfil do autor Antônio Torres

O amor pátrio é intensificado a cada análise das obras literárias. Alunos e professora brasileiros têm a satisfação de apresentá-lo aos alunos estrangeiros. Todos se sentem motivados a escrever, seja sobre a vida pessoal ou profissional, a vivenciar uma situação única de proximidade com o autor e a divulgar suas obras com mais orgulho e detalhamento.

Para transmitir os agradecimentos ao professor Antônio Torres e a todos que contribuíram para a distinção entre A.B e D.B, recordo-me de um conselho recebido de meus primeiros professores: “Agradecer, além de ser uma das mais belas virtudes, é um dever”.

Para dissipar as saudades de todos, faço uso da bela e esperançosa expressão “see you soon”: até breve!

Rita de Cássia Klosienski Jankowski
Curitiba, 10 de dezembro de 2009.

6 comentários:

josé disse...

oi Rita è o José da PIZZA FRITA,legal ler um pouco da história desse ecritor,vocês ficaram bem na foto heim.Valeu abraço. ALÔ...hehehe. Até sexta.

Emilia Martins de Oliveira disse...

Olá prima, belíssimo texto em homenagem ao professor Antonio Torres. Estou orgulhosa por todos.
Bjs.

Terezinha Kozlowski disse...

Rita, sua marca registrada é a delicadeza! Lindo texto.
Parabéns ao Professor Antonio Torres pela homenagem.
Até a próxima.

ângela zewe disse...

Ri Jolie, você cumpre seu dever de agradecer ao Professor e brinda a todos com suas palavras tão bem escolhidas...que dizem também sobre tudo de bom que você é.
Bjs.

Altamir Tojal disse...

Rita, tive o privilégio de fazer uma oficina com o Antonio, que durou todo um ano letivo. Foi na Uerj, em 1999. A minha alegria e o sentimento de admiração a cada aula eram os mesmos que v descreve em sua bela crônica. O Antonio é tudo isso mesmo: talento, generosidade e modéstia. Altamir

Denise João disse...

Rita querida, que texto maravilhoso! Com toda essa riqueza de detalhes, a sutileza do uso da língua inglesa - a qual você se dedica tão profundamente - e o entusiasmo pela oficina, você nos colocou, a todos, junto a você nessa maravilhosa experiência. Espero ler muitos textos seus.
E parabéns ao homenageado!