sábado, 14 de janeiro de 2012

Cineas Santos - Meninos, eu vi!

Rezam as escrituras que Jesus Cristo teria sido crucificado entre dois malfeitores. Um deles, incorrigível, escarnecera do Salvador, desafiando-o a salvar-se a si próprio. O outro, de nome Dimas, ter-lhe-ia pedido que não se esquecesse dele ao adentrar a casa do Pai. Este entraria para a história como “o bom ladrão”. Consta que, uma vez por ano, Dimas volta a este Val de lágrimas para tentar resgatar algumas ovelhas tresmalhadas e reconduzi-las ao redil do Bom Pastor. Lendas, dirão os incrédulos. Mistério, dirão os crentes.

Deixemos, porém, de literatice e vamos ao que interessa. No dia 10 de dezembro do ano passado, em São João do Piauí, um desinfeliz pediu arrancho no casebre de mestre Carlitos e, ao romper do dia, fugiu levando uma sanfona que acompanhava o velho há 25 anos. Era o que de mais precioso havia no barraco. Seu Carlitos, 88 anos de idade, confessa que apenas duas vezes na vida havia chorado: quando da morte da mãe e ao perceber o furto da sanfona, uma velha Todeschini, presente de um genro. O meliante desapareceu sem deixar rastros. 

O que o desocupado não poderia imaginar era a repercussão que o fato alcançaria. O prof. Gonçalo Carvalho, coordenador do Projeto Encantadores do Sertão, botou a boca no trombone, ou melhor, os dedos no teclado do computador e, numa fração de segundos, a história já estava na Itália onde um blog pedia a colaboração dos italianos para comprar uma sanfona nova para o velho. O mais correu por conta dos internautas, gente de todas as idades e estratos sociais. Por pouco, a ocorrência não chegou aos ouvidos do ministro da justiça. Não bastasse o alarido das mídias sociais, a mulher do mestre Carlitos, que conhece reza forte, também mexeu os pauzinhos: responsou o santo que tem poderes até para desencalhar solteironas enfusadas. Tiro e queda: atordoado, o larápio resolveu devolver a sanfona no último dia do ano. Parafraseando seu Carlitos, o mundo inteiro aplaudiu o gesto do “bom ladrão”. Coisa do Dimas? Sabe-se lá... O certo é que, para comemorar a devolução da sanfona, realizou-se, no dia 2 do corrente, um forró caprichado no terreiro do sanfoneiro. O couro comeu até os galos amiudarem o canto.

Em entrevista à Rádio Comunitária Malhada do Jatobá, mestre Carlitos, muito emocionado, afirmou que já não vive de tocar sanfona, mas quando aparece um convite, aceita e não faz feio. Tem razão. Coube justamente a ele e ao garoto Isac, um sanfoneirinho de apenas 8 anos de idade, honra de abrirem o 1º Festival de Sanfona de São Raimundo Nonato. Sem sair do tom, os dois tocaram “Assum Preto”, de Luiz Gonzaga. A plateia foi ao delírio ou, como diria mestre Carlitos: “Estralou palmas no mundo inteiro”. Não é fanfarrice. Meninos, eu vi!

Nota do blog: Este blog também entrou na campanha e alguns acauãzeiros colaboraram.



quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

Já é carnaval, cidade!

Se eu fosse crítico de cinema daria a nota 1 para o roteirista, continuísta e diretor do filme Os Imortais, que bem poderia se chamar Teseu, que, na versão roliudiana, não passa de um filho da puta camponês e não o grande herói ateniense. Mas daria 10, com louvor, ao corpito siliconado da virgem do oráculo quando ela resolve gerar um Teseuzinho.

No último filme de Indiana Jones eles conseguiram a proeza de colocar dois carros a duzentos por hora nas estradas da Amazônia sem um sacolejo sequer, como se estivessem em corrida de tapete voador. Como se não bastasse, além de colocarem as Cataratas do Iguaçu na Amazônia, os heróis do filme saíram de uma caverna sem saída, empurrados em um buraco por uma tromba d’água. Nada demais se não tivessem chegado na superfície totalmente enxutos.

No Os Imortais, os roliudianos tratam o público como abestalhados. Após tomarem um banho de piche, os mocinhos e a mocinha encontram uma ducha Lorenzetti instalada no meio do rochedo e eles tiram o piche numa boa sem usar sabão nem solvente e ainda saem de roupa engomada. O governo de Sergipe devia instalar uns chuveiros desse nas praias de lá, porque, quando a gente pisa no piche na areia, não há solvente, querosene, gasolina, óleo diesel e sabão em pó que dê jeito. Infelizmente o Sabão Omo é branco total e o petróleo é preto.

Mas falemos de amenidades...

Gordurinha, autor da frase “baiano burro nasce morto”, se tivesse oportunidade também diria que “o mineiro é um baiano cansado, o paulista um baiano apressado e o carioca um baiano que não deu certo”. Agora vos digo: Jeane Hanauer, apesar de loira dos olhos verdes, também tem um pé no Pelô. Aliás, não só o pé, mas o coração. Assim podemos explicar as suas duas últimas entrevistas no Programa Repertório: uma baiana no programa anterior e um baiano no de hoje. Com mais um baiano aqui falando com vocês, formamos o tripé da Santíssima Degustação: acarajé, abará e bolinho de estudante. E, como dizia o Gordurinha, três baianos juntos é uma baianada.

Cada vez mais íntima das câmeras, a loirinha paranabaiana nos brinda com uma ótima entrevista com o carnavalesco Arthur Andrade, o Tuti, baiano de Salvador, ex-assessor de Sargentelli, especialista em mulatas e atual presidente da Liga Independente das Escolas de Samba de Foz de Iguaçu. Como já estamos no reinado de Momo, nada mais oportuna do que está entrevista, onde fiquei sabendo que a minha amiga Jeane Hanauer já foi madrinha de bateria de escola de samba, e desfilou de biquini de bolinha amarelinha tão pequenininho e de sapato alto (nesse desfile a bateria tirou dez), sinal de que, para as bandas de Foz de Iguaçu, nem só as Cataratas é colírio para os olhos no carnaval.


Segue abaixo algumas Escolas de Samba em Foz do Iguaçu, e o respectivo telefone:

Acadêmicos do Grande Lago Vila C 9101-4562/3523-4559
Acadêmicos Magia e Esplendor Jd. das Flores – 3527-1209
C. Cultural Império das Cataratas Ouro Verde – 3027-7089/8401-6136
Grande Três Lagoas Três Lagoas – 3577-2288/3577-1013
Mocidade Independente São Francisco Morumbi – 3525-0208
Mocidade Unidos do Porto Meira Profilurb II – 9916-9995
Unidos do Maracanã Vila Maracanã – 3027-2865 / 9977-9474

Apresentação: Jeane Hanauer
Produção: TVCOM FOZ (Foz do Iguaçu - PR)
Transmissão: NET canal 98 e TVA canal 99.
Exibição: domingos, 17h. Reprises: terças, 21h30 e quintas, 13h



quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

Olha o Poetrix aí gente!

Tenho uma amiga paulista que ama o Poetrix e se diz a rainha dessa embromação que querem transformar em gênero literário, mas, no meu entender, não passa de coisa de quem tem preguiça de botar os neurônios pra funcionar. 

Para quem não sabe, o poetrix é uma invenção de um baiano, cuja intenção era fazer o milenar haicai, um exercício asceta, cuja funcionalidade é unir o homem à natureza, ou algo  assim, mas não conseguiu e então deu o nome de Poetrix. Para se fazer um haicai é preciso corpo e mente em união com a natureza; já para se fazer um poetrix, basta arranjar um título e colocar três ou mais palavras, uma em cima da outra, que tá perfeito.

  Abaixo, seguem uns exemplos como a primeira aula de poetrix. Não haverá a segunda, porque uma aula só é bastante e se depois daqui você não conseguir fazer um poetrix, desista. 

Mas, desde já deixo o aviso: não tentem fazer isso em casa porque é muito perigoso.

POETRIXANDO

Ufa, painho!
Arme a rede!
Agora vou poetrixar

SAUDADES DE CAYMMI I

Poetrix
A rima imperfeita
Da perfeita preguiça.

SAUDADES DE CAYMMI II

Poetrixar
Amar o ócio
Dos neurônios.

A POESIA BAIANA

Poetrixar
Deitado.
Sentado cansa.

A ESSÊNCIA POÉTICA DO POETRIX

Poetrix
O remix do nada 
Com coisa nenhuma.

MEU AMIGO ZÉ DO MATO

Zé do pantanal
E a onça do mato
Comeu o poetrix do Zé.

PESCAR PALAVRAS

Poetrixar
É melhor do que pescar
De bomba num aquário!


 NO CEARÁ TEM DISSO NÃO

Tu hai kaí, Ciço!
Num caio não! Ops! Pá!
Num te dixe, cão!

SAUDADE JUNINA

Licor de pitanga,
Jenipapo, tangerina:
Ressaca tropical.

DOR DE CORNO

O primeiro livro
A primeira namorada,
Nunca esquecemos.

DEPRAVAÇÃO

Sentai no meu colo
Todas as bichas do mundo:
Favor, façam fila!

VALENTE DE ARAQUE

Cutucar com vara
O cu da onça pintada
Não dá em nada.


domingo, 8 de janeiro de 2012

Assim caminha o povo do Junco

O povo de Inhambupe não perdoa o povo do Junco porque os “tabaréus da roça”, como eram chamados pelos inhambupenses antigamente, sabem fazer bonito aonde chegam. Ou até mesmo quando não chegam, como é o caso da festa da Padroeira ou do forrobodó joanino.

Para o Junco se ver livre de sua ex-sede, teve que ser rebatizado com o nome de um pseudo-ilustre de Inhambupe, um imperialista convicto que no apagar das luzes do Império virou republicano de carteirinha para não perder a boquinha nas indicações políticas.

Enquanto pouca gente sabe quem é a/o padroeira/o de Inhambupe, o sertão norte baiano e seus arredores se mobilizam para festejar a padroeira do Junco. É festa para duas semanas e meia e só não se estende por mais três porque o padre não aguenta o tranco.

Agora imagine, caro internauta, um encontro etílico-cultural de “tabaréus do Junco” em Salvador e este encontro ser transmitido pelas rádios emissoras em frequência modulada das cidades da região e também ser transmitido pela televisão... É de matar de inveja, não é? E tem até eu falando aí no vídeo.

É por isso que a gente sai de tão longe para prestigiar o evento. Que é pago pra entrar e o consumo é por conta de cada um. Este ano estarei lá novamente.



Edna Lopes - Vai uma exploraçãozinha aí?

Olhando a imensidão do mar, uma das moradas do Deus em que acredito, com o coração pleno de alegria, agradeço ao ano que se inicia. Filho em férias e eu me desvencilhando de uns e outros compromissos firmados ainda no ano que passou, para finalmente entrar em férias, casa lotada com enteados e neto, nora, amigos e parentes que chegam para reencontrá-los.

Não há como não pensar que a vida é uma festa e que devemos celebrá-la todos os dias, agradecer pelas pequenas e grandes alegrias que vivemos. Não há como não aproveitar momentos assim, em família e com amigos, para rever lugares e pessoas especiais. Melhor tempo não há para rever, com outro olhar, espaços da cidade que no nosso cotidiano de trabalho não frequentamos com regularidade.

Maceió é um dos destinos do verão no nordeste. A cidade está lotada, colorida, uma babel de sotaques e falares de vários lugares. Gosto imensamente de estar em espaços que permitam o convívio, as interações com diversas culturas, diversos falares do país e do mundo e aproveito bem esses momentos de receber parentes e amigos para circular pela cidade e por municípios do entorno. Eu revejo, eles conhecem, nós nos divertimos.

Essa é a ideia. Gosto de fazer isso em minha cidade porque é um bom motivo de levá-los a conhecer um pouco dos costumes, da culinária local, um pouco do nosso jeito alagoano de ser, mas por gostar de receber, de sair e fazer as honras da casa às pessoas que nos visitam, tenho me policiado para não me aborrecer com o tratamento dispensado em bares, em restaurantes e até nos quiosques de tapioca, sorvete e água de coco, points que todos querem conhecer e aproveitar no verão. Os preços dobram, o atendimento é péssimo, enfim, a exploração é acintosa.

Pergunto sempre a quem quer ir a uma praia mais badalada: Gosta de muvuca? De vendedor lhe empurrando todo tipo de produto de 02 em 02 minutos? De bares que vão lhe cobrar o dobro por qualquer tipo de prato em tempos normais? Gosta de atravessar um “mar de gente” até chegar à água?

Então vamos...

Desculpem começar o ano destilando indignação, mas gostaria que os comerciantes de todos os ramos aqui da minha terra tratassem com respeito quem lhes garante o sustento, que não quisessem lucrar no mês o que não conseguem o resto do ano.

Desculpem por achar que as belezas naturais, o calor humano, a simpatia e a receptividade de minha gente pudessem minimizar a péssima imagem que fazem de nós pelos índices divulgados de analfabetismo, de violência, de escândalos ligados à corrupção, mas pelo andar da carruagem, muitos sairão daqui achando que conheceram também o paraíso dos exploradores.

Desculpem a chatice assumida. Certamente sabem que explorar o turismo não é o mesmo que explorar o turista, mas não custa relembrar.


Cineas Santos - Um ano realmente novo

Preciso de um ano novo,
que garanta o ano inteiro:
paz, saúde e algum dinheiro...

Chuva na medida certa,
muito amor,muita poesia,
combustíveis da alegria.

Tempo pra pessoa amada
alta a chama da paixão:
que não me falte tesão!

Ano novo sem remendos,
sem trincas e sem fissuras,
folha limpa, sem rasuras

Na qual eu possa escrever
sem receio e sem pudor
ardentes versos de amor.

Que reine a delicadeza,
e cesse todo perigo,
um ano que seja amigo.

O que de bom me vier
(nem contarei até três)
dividirei com vocês.


Aleilton Fonseca nas paradas cênicas

De Nhô Guimarães

Exposição Billy Gibbons (convite)

De Exposição Billy Gibbons (convite)

sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

O velho sanfoneiro volta a sorrir

No ano passado, que não é tão passado assim, a banda Chiclete com Banana em turnê pelo Nordeste teve seu caminhão-baú – o que transporta os instrumentos da banda – roubado nas estradas de Alagoas. O cantor da banda, Bel Marques, fez uma zoada danada na televisão, apelando para o valor sentimental de uma certa guitarra e ameaçando não tocarem mais, nem mesmo por decreto presidencial. "É a redenção!", exclamei em êxtase. "Viva o ladrão!" Mas meu regozijo durou pouco tempo: na impossibilidade dos ladrões passarem adiante tão precioso tesouro sem que fossem identificados, resolveram devolver o caminhão três dias depois. Sem levarem nada.

Mas nem todo mundo tem essa sorte. A banda baiana teve apoio integral da mídia e dos fãs, denominados “chicleteiros”, que não são poucos. Para quem lê rodapé de jornal, toda semana há notícia de roubo de instrumentos de algum músico necessitado ou remediado. E a mídia televisiva nem taí. Quem se interessaria pelo roubo de um oboé de um mané qualquer? Ou de um violino que não é nem Stradivarius, mas que faz uma falta danada ao seu dono?

Mas a internet também faz sua zoada. Ao roubar a sanfona do mestre Carlitos, o decano dos sanfoneiros de São João do Piauí, segundo o poeta Cineas Santos, o meliante não imaginava que houvesse tamanha repercussão em torno da ocorrência nem a mobilização nacional para devolver a alegria ao velho sanfoneiro. O eco cibernético ressoou na linda juventude são-joanense (uma cidade exatamente do tamanho do Junco) e também na linda juventude das cidades circunvizinhas, dificultando a transação comercial entre o ladrão e o receptor do roubo. Na iminência de ser capado com uma faca cega se pego pela polícia ou população, proposta do Cineas Santos às autoridades competentes, o sacripanta resolveu deixar a sanfona no banco da praça na madrugada da virada do ano, com um bilhete de desculpas para o mestre Carlitos. Ou coisa assim, pois a alegria foi tanta que perdi os detalhes da devolução.

O velho sanfoneiro voltou a sorrir. Como o dinheiro arrecadado na campanha virtual não tem como voltar ao antigo dono, pois foram muitos e não há como se identificar a origem, o montante das doações será entregue a Carlitos. O velho sanfoneiro, de sorriso de orelha a orelha, avisou que vai aproveitar a grana extra para fazer uma cirurgia dos “óios” em Teresina, pois agora pretende ver o mundo com a lente ocular recauchutada. E depois fará uma festa de arromba, com mais de mil sanfonas e zabumbas para comemorar a retomada da vontade de viver.

Deste modo, agradeço aqui aos amigos, parentes, a Edna, aos amigos de Edna, que embarcaram na campanha e contribuíram para fazer uma boa alma sorrir e, futuramente, ver o mundo colorido.

Só uma coisa: não esperem um bilhete de agradecimento do Carlitos, pois ele é analfabeto de pai e mãe. Seus amigos são que são seus emissários.


Abaixo, extrato da conta:

De Saldo da campanha da sanfona


quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

Começando o ano com Jeane Hanauer

Olá, meu povo! Fim de ano é natural que as atividades blogueiras esmureçam. O blogueiro também é filho de Deus e merece parafrasear o dito-pop "Pernas pro ar que ninguém é de ferro!" 

Apesar do reveillon ter passado, ainda continuo com um pé no ócio. Já que resolvi não viajar neste mês, os amigos e parentes resolveram me visitar e não posso deixar que eles cheguem aqui e fiquem entregues à própria sorte. Ou à ganância dos comerciantes que querem lucrar num mês o que eles não conseguem faturar durante o resto do ano.

Mas com a minha amiga Jeane Hanauer não tem disso não. Ela me disse que lá em Foz de Iguaçu enquanto se descansa, se carrega pedras. Desta vez a loirinha se apresenta com novo visual, e o seu Programa Repertório entrevista a atriz baiana (assim ela se sente) Cláudia Ribeiro, da Cia. de Teatro Amadeus, que fala, dentre outras coisas, do projeto cênico-biográfico de Arthur Bispo do Rosário, um misto de gênio e de louco. 

Arthur Bispo do Rosário foi um descendente de escravos nascido em Japaratuba, a dois passos de Aracajú, Sergipe, em 1911, se mudando para o Rio de Janeiro em 1925. No Rio, trabalha na Marinha Brasileira e na Light. Um dia, após um delírio místico, foi internado no Hospital dos Alienados na Praia Vermelha. Depois, diagnosticado como esquizofrênico-paranóico, é transferido para o hospício Juliano Moreira. 

Alternando loucura e lucidez, a partir de 1960 cria algo em torno de mil peças de arte, tombadas, em 1992, pelo Instituto Estadual do Patrimônio Artístico e Cultural - Inepac, no Rio de Janeiro.



Apresentação: Jeane Hanauer
Produção: TVCOM FOZ (Foz do Iguaçu - PR)
Transmissão: NET canal 98 e TVA canal 99.
Exibição: domingos, 17h. Reprises: terças, 21h30 e quintas, 13h

domingo, 1 de janeiro de 2012

Cineas Santos - Cantiga de entrada

No ano que se inicia,
sob o signo da alegria,
dê-me as sobras do seu tempo
e uma palavra de alento
que me leve a prosseguir
e motivos pra sorrir...
Amor? É querer demais:
eu seria bem capaz
de não saber merecê-lo,
visto o grande desmantelo
que ronda o meu coração.
Se possível, dê-me a mão
para um carinho fugaz...
Estou pedindo demais?
Me perdoe: estou sem norte.
Me deseje boa sorte!



quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

Campanha "Devolva o sorriso de um sanfoneiro"

Conversando, ontem, com o jovem poeta Cineas Santos, ele sugeriu que o ladrão da sanfona, se pego, fosse capado com uma faca cega. É muita moleza, meu poeta! Refresco de cajuína até. Roubar uma sanfona de um pobre velhinho é crime hediondo. O autor da repugnável proeza merece sim, ser capado, à moda antiga de capação de boi: prende os quibas num barrote e mete o cepo até ele parar de gritar. Garanto que ele vai chorar toda vez que ouvir o som de uma sanfona, mesmo as sintetizadas.

Do interior do Piauí recebi o seguinte e-mail:

"Prezados(as) amigos(as),

Ficamos felizes pela solidariedade manifestada por todos vocês ao mestre Carlitos. A fim de vocês poderem fazer suas contribuições, bem como colaborar na divulgação da campanha entre amigos, envio o número da conta poupança, conforme solicitado pelo Professor Cineas Santos.

Conta Poupança nº 24954-8, Variação 1, Agência nº 0519-3, Banco do Brasil.

Um abração e muitas realizações no ano novo!

Prof. Gonçalo Carvalho Filho

Não abrimos conta na Caixa porque aqui só temos lotérica, e por entendermos que o Banco do Brasil está em quase todo lugar!

Veja só: O Delso acaba de nos informar o valor arrecadado até a presente data na conta aberta em favor da campanha "Uma Sanfona Nova pra seu Carlitos"!, R$ 749,85. Mas, temos novidades boas: os jovens envolvidos na campanha, segundo eles me comunicaram, já angariaram R$ 300,00 e vários produtos junto ao comércio local!..

Um abraço,

Gonçalo."


Vamos ajudar, meu povo! Qualquer quantia é uma grande ajuda.






terça-feira, 27 de dezembro de 2011

Cineas Santos - Um velho sanfoneiro chora


De Seu Carlitos da Sanfona

“Quem roubou minha sanfona, eu bem sei, foi alguém sem coração”. Luiz Gonzaga

No início da década de 90, a Argentina vivia uma aguda crise econômica. Nossos orgulhosos hermanos baixaram a crista. Uma noite, vi na TV uma cena que me deixou profundamente triste. Diante de uma casa de penhor, em Buenos Aires, um grupo de velhos músicos tentava levantar alguns trocados deixando “no prego” seus instrumentos musicais. Entre guitarras rotas e violinos ensebados, figuravam alguns bandoneons que, como se sabe, são a alma do tango. Naquela noite, dormi mal. No dia seguinte, escrevi: quando um músico é obrigado a penhorar seu instrumento de trabalho, na verdade, ele está penhorando a própria alma. Continuo pensando da mesma forma.

Eis que, na semana passada, experimentei a mesma incômoda sensação. Recebi um e-mail do prof. Gonçalo Carvalho, mentor do Projeto Encantadores do Sertão, dando conta do furto da sanfona do mestre Carlitos, o decano dos sanfoneiros de São João do Piauí. Minha primeira reação foi de absoluto destempero: Meu irmão, temos de encontrar esse desinfeliz e castrá-lo com faca cega para que não tire raça ruim. A bravata era só uma tentativa de driblar a tristeza que me corroía a alma. Mestre Carlitos, aos 88 anos de idade, caminha com dificuldade, mas sentado, com a sanfona nos joelhos, ainda é capaz de animar um forró. Este ano, coube a ele e ao pequeno Isac, de apenas 8 anos de idade, abrirem o Festival de Sanfona de São Raimundo Nonato, um duo que emocionou a plateia. Muito animado, o velho sanfoneiro falou de sua alegria de estar ali “alegrando tanta gente”. A sanfona furtada, uma velha Todeschini, presente de um genro, o acompanhava há 25 anos. Juntos, animaram casamentos, batizados, quermesses, reisados e forrós. Desde o dia do furto, 10 de dezembro, mestre Carlitos só tem olhos para chorar.

Indiferente ao sofrimento do velho, o larápio pervaga por aí à caça de novas presas. O que distingue um ladrão de uma pessoa decente é, entre outras coisas, a absoluta ausência do sentimento de piedade. Por oportuno, vale lembrar que, no auge da carreira, Luiz Gonzaga teve sua sanfona furtada por um vagabundo qualquer. Como tinha fama e milhares de fãs e amigos, o velho Lu ganhou uma soberba sanfona branca onde fez gravar a frase: “Sanfona do povo”. O episódio rendeu-lhe uma bela toada cujo refrão diz: “Quem roubou minha sanfona peço não faça de novo!/ pois esta sanfona bela que eu estou tocando nela é a sanfona do povo”. O Rei do Baião poderia comprar quantas sanfonas quisesse; mestre Carlitos, não. Além disso, seus amigos - pobres como ele - não poderão ajudá-lo.

Em momentos assim, lamento profundamente não ter ficado rico, o que não me impede de encabeçar uma lista de pobretões para juntarmos nossos caraminguás e comprar uma sanfona nova para o mestre Carlitos, um cidadão que, ao longo da vida, dedicou-se a produzir beleza. Os que desejarem integrar esta corrente solidária que se habilitem. Como cantam os cegos de feira: “O pouco com Deus é muito”.

Assim seja.


segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

Carlos Vilhena - Natal

De Natal - Graça Vilhena

Jeane Hanauer entrevista o poeta Omar Ellakkis

Show de bola! Com nova roupagem, ou seja, usando as estantes da Kunda Livraria de Foz de Iguaçu como estúdio de gravação, e com a apresentadora Jeane Hanauer livre, leve e solta como deve ser o bom entrevistador, o Programa Repertório  vai ao ar desta vez exibindo a entrevista do médico e poeta, ou poeta e médico, Omar Ellakkis, membro da Academia de Letras de Foz do Iguaçu. Além de falar de como conciliar medicina e literatura, Ellakkis também fala aos internautas sobre a etnia e a trinacionalidade de Foz de Iguaçu.


Apresentação: Jeane Hanauer
Produção: TVCOM FOZ (Foz do Iguaçu - PR)
Transmissão: NET canal 98 e TVA canal 99.
Exibição: domingos, 17h. Reprises: terças, 21h30 e quintas, 13h