domingo, 9 de maio de 2010

Minha Semente - Edna Lopes


Por Edna Lopes

De Dia das mamães



Não me canso de dizer o quanto gente me surpreende, me encanta. Ainda mais quando é alguém que amamos e que é, verdadeiramente, um pedaço de nós.

Sempre soube que seria mãe e sempre me senti especial por isso. Quando adolescente pensava na maravilha que devia ser gerar uma vida, cuidar dela, ser responsável até que pudesse fazer suas escolhas, seguir seu caminho.

Pensava também nas mulheres que queriam ser mãe e não conseguiam e nas que não sendo mães biológicas eram maravilhosas mães-adotivas, mães-tias, mães-avós, mães-irmãs, mães madrinhas, mãe-drastas, mães- amigas, mães-anjos de guarda.

A aventura de gerar uma vida e dela ser parte é, no meu entender, um divisor de águas. Avalio a minha vida como AV e DV (Antes de Vinícius, Depois de Vinícius).Temos nossos códigos, nossos pequenos segredos de mãe e filho e brincadeiras especiais entre nós.

Ele sempre me pede para contar histórias das brincadeiras de quando era bebê. Gosto de várias, mas há uma em especial que é como a gente brincava em minha cama até ele dormir e eu o carregava até seu berço, depois cama, no quarto de teto cheio de naves espaciais, planetas, cometas e até bruxinhas voadoras, brilhantes no escuro.

Sempre lia, ou “cantava” pequenas historias e ele ria muito das caras e bocas que eu fazia. O “Cravo brigou com a rosa”, “Terezinha de Jesus”, a” história do jacaré” "A lenda do Pégaso”, “ Os Saltimbancos”, são exemplos de cantigas interativas, divertidas que fazia questão de cantarolar até que dormisse.

Neste dia em especial - Vinícius devia ter pouco mais de um aninho - já havia gasto meu “repertório” de cantigas interativas, quando me lembrei de uma comercial de TV de uma caderneta de poupança que contava uma história de três sacis e uma onça que os perseguia. Os sacis, cansados de fugir, construíam uma casa no alto de uma arvore e passavam a troçar da “Dona Onça”.

Cantarolei como sempre fazia com as demais cantigas e ele me olhava, fascinado. Sempre que acabava ele dizia “mais, mais”, porém dessa vez, desabou num choro que me deu trabalho consolar.

Fiquei intrigada com o que teria causado aquele choro e alguns meses depois, enquanto lhe contava fábulas, contei a tal história da onça e dos sacis, mas atenta para não fazer caras e bocas, nem mudar a voz. Ao termino, me olhou desconsolado e, mais uma vez, chorou.

Prometi nunca mais contar aquela história, embora me intrigasse o motivo do choro. Mas, aos seis anos, aproveitando que me pedia para contar algo de quando era bebê, contei-lhe os episódios do choro e disse:
- Filho, eu nunca entendi porque você chorou a cada vez que lhe contei essa história!
Ele pensou um pouco e me respondeu como se voltasse no tempo:
- Eu chorava com pena da onça, mamãe.

Essa é minha semente. Bem humorado, curioso, mas sensível às dores do mundo. A cada dia, agradeço a Deus a alegria de ter a oportunidade de ensinar e aprender na aventura maravilhosa que é ser sua mãe.

A minha mãe e a todas as mulheres mães biológicas, do afeto ou mesmo as nulíparas, que a aventura da maternidade nos anime na caminhada de, não só lutar por um mundo melhor, mas criar filhos melhores para este mundo.





Um comentário:

maria olimpia alves de melo disse...

Linda a historinha. Mas (preguiça de ir ao dicionário) o que é nulíparas? Eu não conheço essa história, da onça.