domingo, 27 de fevereiro de 2011

Por que não paras, relógio?



            E se o Tempo não tivesse existido e as horas fossem uma montanha gigantesca de relógios quebrados e de ponteiros empilhados pela Eternidade? Com as horas paradas, ainda seríamos trogloditas e estaríamos poupados de certos vexames televisivos, tipo BBB, Fama, Gugu e Ratinho.

            A Idade Moderna surgiu do lampejo visionário dos alquimistas que procuravam a luz no fim do túnel para iluminar a escuridão cavernosa da Era Medieval. Descobriram o querosene de avião e ficaram sem saber o que fazer com aquele líquido volátil e mais viscoso que a água, até que um alquimista mais inteligente inventou a pólvora, e outro - mais inteligente ainda - colocou um pouco da pólvora na ponta de um graveto e um outro, superinteligente para os padrões intelectuais da época, que havia inventado uma espécie de sapato, resolveu pegar o graveto com a pólvora e friccionar na sola do sapato para tirar um cocô de tiranossauro rex encravado entre a sola e o salto. A pólvora acendeu no atrito com a sola do sapato e o superalquimista, assustado com o fogaréu, jogou o graveto longe, como se se livrasse de uma cobra. O graveto flamejante caiu no barril de querosene de avião e explodiu o barril, espalhando fogo pela floresta de Neanderthal, ocasionando a primeira queimada da História provocada pelo homem.

Em outra caverna longe desses acontecimentos, outro alquimista inventou o cigarro, porém esbarrou em um obstáculo tamanho família: não havia fogo disponível e ele só podia acender o cigarro quando a tempestade incendiasse a mata. Sabendo do ocorrido, viajou para Neanderthal à procura do fogo para acender o seu cigarro.  Assim, de um acaso, foi acesa a chama que iluminaria a Idade Moderna e acenderia o cigarro de muitos viciados. O único inconveniente naquela época era que, além do incômodo de se levar o graveto com pólvora numa ponta, também era preciso carregar um tambor com querosene de avião em u’a mão e o alquimista inventor do sapato na outra.

Somente depois da invenção do bolso foi que se inventou a caixa de fósforos.

            Ah! Se as horas parassem no tempo e no espaço como um monte de ponteiros emperrados em suas engrenagens, estaríamos ainda    tomando banho de cuia, comendo frutas e animais silvestres, fazendo nossas necessidades fisiológicas na mata, transando sexo numa boa num moitel, e Tiririca não seria o candidato a deputado federal mais votado, levando de lambuja uma vaga na Comissão de Educação e Cultura da Câmara dos Deputados.

            Por que não paras, relógio? Não vês essa gente perplexa? 



Um comentário:

maria olimpia alves de melo disse...

O relógio não para, quem anda parada sou eu que nada faço para reverter essa situação aí do Tiririca.