sexta-feira, 6 de julho de 2018

Linha do Horizonte

Eram tempos de sonhos, de se montar na cauda de um cometa e cavalgar pelo infinito em busca do pote de ouro no fim do arco-íris das galáxias.

1975, ano em que Josafá desmaiou de tanto caçar guerrilheiro no sol escaldante de céu límpido de abril nas ruas solitárias de Alagoinhas. Teve o azar de quebrar a coronha do fuzil na quina do meio fio e morreu de tanto apanhar para confessar quem era seu contato de Cuba que mandou destruir as armas do quartel. E quando cheguei em casa, atordoado com a notícia, a minha vizinha tocou essa música na sua radiola Taterka Linear estereofônica e automática, não sei se foi por sacanagem, mas a música foi repetida cinco vezes, e a cada vez ela aumentava o volume. Tirei a verde-oliva do corpo e fui para Zefão afogar as minhas angústias, porque os puteiros eram os melhores lugares para se sossegar um coração inquieto e uma alma em revolução. E lá, com certeza, não tocaria Azimuth.

Descansa em paz, Josafá!


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