terça-feira, 11 de maio de 2010

FLAGRANTES DA VIDA REAL




Flávio Cavalcanti fez história na televisão com o seu programa “A Grande Chance”, nas noites de, salvo engano, quartas-feiras. Foi nesse programa que um menino de nome Armando Macedo assombrou o Brasil com a sua perícia no bandolim. Foi aclamado o grande vencedor, Sérgio Bittencourt não se conteve em elogios e o sisudo Fernando Lobo (pai do Edu) deu nota dez, acho que a única em sua vida de jurado, e o Armando Macedo teve sua apresentação gravada em compacto duplo, e fez muito sucesso na Bahia, principalmente em cima do trio elétrico do pai, o famoso Trio Dodô e Osmar.

No início dos anos oitenta, Flávio Cavalcanti reapareceu com um programa de variedades, mas não conseguiu reeditar o sucesso do programa anterior. Mesmo assim havia uma grande audiência e, entre os telespectadores, se encontrava a minha sogra.

O programa se chamava “Boa noite, Brasil”, na TV Bandeirante, e havia um quadro em que o apresentador ligava para a casa de alguém, cujo telefone era escolhido aleatoriamente na lista telefônica, e, quando atendiam do outro lado e falavam “alô”, Flávio respondia:

– Não diga alô. Diga “Boa noite, Brasil” e ganhe prêmios! – e listava os prêmios que o cidadão ou a cidadã deixara de ganhar.

Uma noite em que a minha sogra assistia ao programa, o telefone tocou. Ela atendeu:

– Alô!
– Não diga alô! Diga Transbrasil e ganhe uma passagem de ida! – anunciou uma voz do outro lado.

Ela desligou o telefone e voltou ao programa. Quinze minutos depois uma nova chamada:

– Alô!
– Não diga alô; diga Transbrasil e ganhe uma passagem de ida! A senhora perdeu uma segunda chance!

Ela ficou calada e voltou ao posto de telespectadora. Em menos de dez minutos o telefone tocou. Ela deu um pulo do sofá, tirou o fone do gancho antes que outra pessoa atendesse, e falou ofegante, porém triunfal:

– Transbrasil!
– Muito bem! A senhora acaba de ganhar uma passagem de ida para a puta que lhe pariu!