sexta-feira, 4 de junho de 2010

A bola sobrenatural - Toninhobira

De Jabulani



Nosso país realmente é uma pérola, quando se fala de futebol, a bola da vez, é a própria bola que será usada pelos astros dos países envolvidos nesta edição da Copa do Mundo a ser realizada na África do Sul. Como não podia deixar de ser os jogadores brasileiros foram os primeiros a criticar a pobre bola, concebida pela ADIDAS, empresa que há 11 anos circunda as copas pelo mundo com sua grife, inundando de milhares de dólares, euros, os milhares de jogadores. Logo na chegada e contato com a bola, o goleiro brasileiro já critica a pobre bola como produto de supermercado, numa clara insinuação de que estes estabelecimentos vendem os piores produtos de esporte quando se fala de bola, o que pode ser um extremismo, visto que marcas famosas e oficiais são comercializadas nestes.

A tal bola recebeu o nome de JABULANI, que no dialeto africano ZULU significa CELEBRAR, que cabalisticamente fora confeccionada com o numero 11 em seu conceito, sendo ainda pintadas em 11 cores, que é o numero de jogadores de um time de futebol e fechando com as 11 comunidades nas quais se divide a África do Sul e 11 idiomas presentes no país.

Segundo a ADIDAS esta bola fora exaustivamente testada ao longo de cinco meses por vários e países e competições, inclusive em uma competição oficial a Copa das Confederações, numa alusão de descrédito as criticas do famoso goleiro brasileiro. Com esta situação os críticos de plantão, já insinuaram que desculpas já estariam sendo dadas, para justificar um possível fracasso deste goleiro ou da própria seleção da era Dunga. Mas pondera-se, que a bola possa sofre influencia de trajetória por problemas de altitude em algumas cidades da África.

Cá com meus botões fiquei a pensar naquelas bolas do passado, feitas de couro costuradas com aquelas agulhas imensas que nosso cronista Claudionor Pinheiro já relatara em suas belas crônicas do futebol daquele tempo. Quando molhadas pesavam o dobro, fico a imaginar, como os nossos melhores jogadores se destacaram usando estas bolas, rudemente confeccionadas sem nenhum teste de laboratórios como as atuais. Seriam eles sobrenaturais ou super-jogadores? Ou nosso rebanho bovino se apaixonara pelo futebol de campo, e assim forneciam um couro amigo, que aplicado nas bolas as deixavam adaptadas ao malabarismo e pontarias de nossos jogadores?

Quando o assunto parecia contornado, outro jogador brasileiro agora um atacante, sai com mais uma pérola, dizendo que a bola parecia sobrenatural, pois sentia que ela tomava rumo estranho quando saia de seus chutes, volta a polemica sobre a inofensiva JABULANI cantada por todas as mídias especializada.

Cá com meus outros botões restantes vaguei por aquele país, comecei a ver coisas, nos campos desnivelados, esburacados, minados por todos os lados, onde jamais jogadores ousariam mostrar suas artes, pois nem se envolvem em conhecer, saber o que se passa ou passou com aqueles tantos de sacis, com suas muletas rudes a perambularem e jogarem bolas em tais campos. Nesta viagem encontrei vários seres esqueléticos mutilados, que driblavam a vida, a sorte, mas não se livraram da morte. Eram oriundos de Soweto, que jogados em valas rasas, ouviram o toc- toc das JABULANI e assim ressuscitaram invadindo os luxuosos e suntuosos campos construídos para o mundial. Numa algazarra subterrânea estes seres estariam interferindo nos rumos das bolas dando a elas esta qualidade sobrenatural, que tanto pavor vem causando aos nossos jogadores, com suas pérolas de definições para a JABULANI que ora rola em treinos da nossa Mama África do Sul.

Atenção jogadores de todas as seleções, principalmente a nossa canarinho. Aconselho a conhecerem a África por *Nelson Mandela, que poderá explicar e orientar como conviver e comportar na sua África, sem que sejam afetados e estejam assustados por tantos mistérios que encerram naquela terra. Assim quando a bola rolar oficialmente, saberemos quem aprendeu a lição.

Brasileiro eu torço, mas não sofro.

* “Ninguém nasce odiando outra pessoa pela cor de sua pele, por sua origem ou ainda por sua religião. Para odiar, as pessoas precisam aprender e, se podem aprender a odiar, podem ser ensinadas a amar." [Nelson Mandela].

Dadá Maravilha (rei das pérolas) deu a dica aos boleiros para conseguir o sucesso esperado com a bola do Mundial sul-africano. "A bola, você tem que falar com ela, -"oh querida, minha queridinha, minha delícia", chama ela de meu amor, dá carinho pra ela que ela te atende. Conversa com ela. Chama ela de mocinha, de maravilhosa, de linda, elogia, trata ela bem, dá carinho e amor. Afinal, quem é que não gosta de ser bem tratado?".

Mais do autor: http://recantodasletras.uol.com.br/autor.php?id=68012

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