domingo, 17 de fevereiro de 2013

Enquanto isso, na fila da loteria




Queria lhe dizer que a fila anda, amor, mas não posso. Faz meia hora que estou parado aqui, ouvindo a desculpa de que “o sistema está fora do ar”. Sistema fora do ar é a nova palavra do milênio, amor. E só acontece quando estou na fila. A sorte é que tem um expert em asteroide aqui e ele está explicando que essa pane no computador da Caixa Econômica talvez seja influência desse asteroide de quinhentas mil toneladas que está passando perto da Terra. Como?! Não, ele que disse que pesava quinhentas mil toneladas, amor. E eu vou lá querer saber quantas toneladas são! Um senhor, atrás de mim, interrompeu o professor e perguntou admirado: “Como é que um bicho pesado desse consegue avuar?!” O especialista em asteroide não soube explicar e eu respondi ao senhor que lá no espaço ele não pesa nada. Um garotão, com pinta de universitário, veio em socorro também: “Esse peso é se fosse aqui na Terra, tá ligado? Por causa da gravidez”. Não ria, amor, que eles podem ouvir. O senhor atrás de mim agradeceu a explicação. Outro, à minha frente, perguntou ao astrofísico se era verdade que o mundo ia se acabar. Vai, respondeu ele. E a NASA já sabe. A NASA tem um telescópio lá em cima, depois das nuvens, muito depois, que diz tintim por tintim o que acontece no mundo. O tal do Rambo. “Já ouvi falar nesse filme”, disse outro mais à frente. Ah! Não! - disse o astrólogo. Manja um binóculo, aquele troço que a gente coloca no olho e tudo fica perto, bem pertinho, que a gente pode até pegar com a mão? Esse Rambo é como se fosse um binóculo desse, gigante, bem gigante, e enxerga até o fim do mundo. Mas só em linha reta.

Estou pasmo, amor. Morrendo de rir e me contendo. A conversa agora descambou para a genética. O professor perguntou ao senhor que se admirou com o voo rasante do asteroide se ele já tinha lido sobre a Arca de Noé. “Sim”, respondeu. Pois então... só foi possível Noé salvar os animais porque havia poucos animais naquela época. Agora não. Agora são milhares e seria preciso mais de mil arcas. Mas a NASA descobriu o genoma dos animais e está guardando tudo em laboratório. Genoma é uma célula que reproduz os seres vivos. Se houver outro dilúvio, não será preciso construir outra arca. Vai tudo dentro dos frasquinhos e aí eles fazem o cruzamento no laboratório.

Pois é, amor. Fila de loteria também é cultura. Agora a fila anda, amor. Vou perder o fim da conversa, que é sobre o submarino nuclear que os cientistas construíram para guardar os genomas e se salvar no próximo dilúvio. Mas amanhã eu volto, amor. O professor tem cara de filamaníaco.  O quê?! E eu vou lá saber se essa palavra existe! Eu aqui ouvindo altos papos sobre o Dilúvio e você preocupada com uma palavrinha à toa! Amanhã quem vem pra fila é você! 


2 comentários:

Anônimo disse...

Oiii Tom! Bem , na verdade eu pensei de início que ele queria usar a mesma desculpa pra mulher dele...seria engraçado. Hoje muita gente dá essa desculpa neh...em casa dizem que a internet caiu e que não voltou rss é a mesma coisa! Foi ótimo! Aquele conto que li da primeira noite de amor é mais romântico heim rsrss beijosssss Junya Paula

Ronaldo Torres disse...

rsrs. Desculpe. Foi o mais romântico que achei. Vou procurar outro.