domingo, 15 de maio de 2011

A Biblioteca Pública Antonio Torres e a violência





A Biblioteca Pública Antonio Torres está se tornando um centro de referência de leitura da região. Diariamente centenas de estudantes, pesquisadores ou apenas leitores procuram a biblioteca em busca de um bom livro. Por ser o patrono, Antonio Torres, um escritor conhecido internacionalmente, a Biblioteca não para de receber doações, tendo como uma de suas mantenedoras a Fundação Casa de Jorge Amado.

Não é de agora que o também escritor da terra, Luiz Eudes, luta para que a biblioteca tenha sua própria sede, inclusive, em meados da década passada, ele era secretário da Cultura e conseguiu verba da Petrobrás para tal fim, ficando apenas a Prefeitura de ceder o local, mas, por um desses reveses da vida, armaram contra o prefeito de então, a Oposição assumiu e a cidade mergulhou num histórico de corrupção jamais testemunhado pelos viventes do lugar.

Mas, depois de Luiz Eudes, nenhum outro secretário entrou com proposta ou propósito benéfico para a Cultura local. Ao contrário, o sucessor de Luiz Eudes deu fim ao acervo da biblioteca, emprestando livros aos amigos e correligionários e não cuidando em pegá-los de volta. Quando a atual administração municipal assumiu, Luiz Eudes tornou-se secretário de Finanças, mas, por sorte dos leitores da terra, ficou também responsável pela biblioteca e ele botou os funcionários para recuperar o acervo perdido.

Juntou-se a Luiz Eudes a professora e poetisa Cristiana Alves, uma entusiasta da biblioteca. Mestranda em Crítica Cultural na Uneb de Alagoinhas, ela tem uma visão avançada a respeito de livros, leitores e leitura. Alguns dos seus alunos já foram premiados em concursos literários e uma aluna participou da última bienal do livro de Salvador com uma antologia poética.

Ao colocar a biblioteca parede e meia com a agência do Banco do Brasil, o prefeito assumiu o risco de colocar os funcionários e os frequentadores da mesma à mercê da sanha criminosa. Imaginemos que esse assalto da madrugada de ontem tivesse acontecido à luz do dia, como nas quatro vezes anteriores em que esta mesma agência foi assaltada. Mesmo não sendo a intenção dos quadrilheiros machucar alguém, teriam dinamitado uma biblioteca cheia de gente inocente, principalmente, crianças e adolescentes que estudam no Grupo Escolar situado quase em frente e usam a biblioteca como fonte de pesquisa.

Agora, senhor prefeito, chegou a hora de refazer vossa santa visão equivocada de festas e festejos na Soterópolis e falar o que o bom senso exige e que o povo tanto espera: “Se os estudantes de Salvador têm biblioteca segura, por que os de Sátiro Dias não podem ter?” Garanto a vossa excelência que uma sede segura e decente para a biblioteca, com auditório e sala de vídeo, custa muito menos, mas muito menos mesmo, do que vossa excelência paga a uma banda dessas para atrair os ladrões para a terrinha.

No dia da festa ou no replay. Como na madrugada de ontem. Quem procurar a cidade de Sátiro Dias no Google, dá de cara com a seguinte informação do Wikipédia:

“A cidade de Sátiro Dias é famosa por suas festas, como: padroeira da cidade que é patronada por Nossa Senhora do Amparo e ocorre no dia 2 de fevereiro, festejos juninos, aniversário da cidade (14 de agosto) e a sua vaquejada. Ao longo de sua história foi palco para a apresentação de vários artistas nacionais como: Ivete Sangalo, Babado Novo, Bruno & Marrone, Amado Batista, Harmonia do Samba, Aviões do Forró, Edson Gomes, Raça Negra, Calcinha Preta, Mastruz com Leite, Alcymar Monteiro, Adelmário Coelho, Arreio de Ouro, Estakazero, Reginaldo Rossi, É o Tchan, Cavaleiros do Forró, Pagod'art, Pedro & Thiago, Cheiro de Amor, Patchanka, entre outros.”

Todos esses artistas de cachê de ouro foram pagos com os parcos recursos públicos nas três gestões do atual prefeito, na verdade, um bom festejador. E ainda está faltando uma porção de gente boa, como Psirico e companhia limitada. Agora eu pergunto aos cidadãos do Junco: quanto custou esses cachês milionários e quanto custa uma sede para a biblioteca? Qual benefício se adquiriu com esses artistas midiáticos e quais benefícios traz à população o funcionamento adequado da biblioteca?

Infelizmente a cidade de Sátiro Dias deixou de ser “famosa por suas festas” para se tornar famosa nas páginas policiais. Felizmente, até agora não houve vítimas fatais, mas até quando se lidará com ladrões bonzinhos?



3 comentários:

maria olimpia alves de melo disse...

Os textos sobre esse assaltoe e a Biblioteca estão muito bons. Ví os védeos e pergunto: Quem é esse músico com o nome de seu irmão? E os quatro torres. Um dos vídeos deu pane, não consegui ver.

Tom do Junco disse...

Merô, os outros vídeos ficam por conta do Youtube. Nada a ver com a gente.
Beijos.

Toninhobira disse...

Belo video com uma musica intrigante e que fala por si.Quanta indignação para os desmandos politiqueiros que desprezam a educação em pro de uma comissão que engordam bolsos e deixa o povo na escuridão.É preciso grito e vozes pelos quatro cantos para acordar esta gente.Meu abraço Tom.