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De Noel |
É difícil dizer qual festa era a melhor em Alagoinhas: micareta, São João ou Natal, cada uma com sua peculiaridade, mas posso assegurar que o Natal era uma festa alegre, de participação popular e de muita animação.
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De Noel |
Em Salvador, a Secretaria do Meio Ambiente resolveu limitar os decibéis nas casas noturnas e isso, segundo os comerciantes do ramo, está causando um enorme prejuízo, pois, a partir da meia-noite, eles são obrigados a reduzir o som a limites de rádio de pilha.
Quando eu tinha bar aqui em Maceió havia uma placa bem grande afixada em local visível: “É proibido som de carro”. Isso fez os vizinhos arrefecerem os ânimos e se tornarem os mais freqüentes fregueses. Vizinho de boteco é bom como cliente; como inimigo é péssimo negócio. Além do mais, som alto, em vez de prazeroso, torna-se uma tortura aos ouvidos e ataca o sistema nervoso.
O abuso do som alto vai de encontro a três leis diferentes: a Resolução 204 do Contran; o Art. 42 e 65 do Código Penal e o Art. 54 da Lei de Crime Ambiental.
A Resolução 204 do Contran prevê:
Art. 1°. A utilização, em veículos de qualquer espécie, de equipamento que produza som só será permitida, nas vias terrestres abertas à circulação, em nível de pressão sonora não superior a 80 decibéis - dB(A), medido a 7 m (sete metros) de distância do veículo.
As penalidades são previstas no Código Nacional de Trânsito:
Art. 228. Usar no veículo equipamento com som em volume ou freqüência que não sejam autorizados pelo CONTRAN:
infração - grave;
Penalidade - multa;
Medida administrativa - retenção do veículo para regularização.
Já na Lei de Contravenção Penal encontramos os seguintes Artigos:
Art. 42. Perturbar alguém, o trabalho ou o sossego alheios:
I - com gritaria ou algazarra;
II - exercendo profissão incômoda ou ruidosa, em desacordo com as prescrições legais;
III - abusando de instrumentos sonoros ou sinais acústicos;
IV - provocando ou não procurando impedir barulho produzido por animal de que tem guarda:
Pena - prisão simples, de 15 (quinze) dias a 3 (três) meses, ou multa.
Art. 65. Molestar alguém ou perturbar-lhe a tranqüilidade, por acidente ou por motivo reprovável:
Pena - prisão simples, de 15 (quinze) dias a 2 (dois) meses, ou multa.
Na Lei de Crime Ambiental, encontramos o seguinte:
Art. 54. Causar poluição de qualquer natureza em níveis tais que resultem ou possam resultar em danos à saúde humana, ou que provoquem a mortandade de animais ou a destruição significativa da flora:
Pena - reclusão, de 1 (um) a 4 (quatro) anos, e multa.
§ 1º Se o crime é culposo:
Pena - detenção, de 6 (seis) meses a 1 (um) ano, e multa.
Como podemos observar, o usuário de som no carro que não observa a tolerância permitida, está incorrendo em vários crimes devidamente tipificados em nossas Leis, podendo até ser preso e processado por isso.
Portanto, antes de ligar seu mega-amplificador e levantar a tampa traseira do seu carro, pense na sensibilidade auditiva das pessoas ao redor e de que o seu gosto musical não será necessariamente o do seu vizinho. Observar tal norma de comportamento o levará a uma convivência harmônica com a vizinhança além de evitar outros aborrecimentos e constrangimentos previstos em lei.
Muriçoca rompeu com Joaquim que se uniu a Wilton. Marta ama Pedrito. Marta é a primeira suplente e torce pela queda de Muriçoca que se não conseguir dois terços dos votos dos vereadores terá suas contas definitivamente rejeitadas e sua posse no dia primeiro irá para o beleléu. De cara, já conta com três votos contra: o da relatora, o de Geckson e o de Marta, que, claro, não vai votar pela moralidade, mas para sua própria sobrevivência política.
Muriçoca promete fidelidade canina a Joaquim se for salvo pelo gongo. Joaquim torce o nariz porque gato escaldado tem medo de água fria. Salvar o pescoço de Muriçoca é trair seus eleitores. É dizer que Muriçoca tinha razão quando discursava inflamado disparando ofensas a todo mundo, inclusive ao próprio Joaquim.
Há vereadores da base de Joaquim articulando para aprovar as contas de Muriçoca e fazê-lo refém da base governista. Se tal acontecer, isso será uma indecência, um golpe naqueles que acreditaram no projeto de mudanças e que ninguém jamais ouviria novamente o nome de certas figuras. Quem traiu uma vez, não terá o mínimo constrangimento em trair a segunda, como está Muriçoca na iminência de trair o seu atual grupo a troco de salvar o próprio pescoço. Logo eles, seus amigos, que passaram a mão por cima dos seus erros administrativos. Logo eles que cederam o palanque a Muriçoca, mesmo sabendo que o mesmo tiraria votos do candidato Tonho. Sem o menor despudor, Muriçoca passará a fazer parte da bancada governista e, como o lobby a seu favor é muito grande, não estranhem se ele se transformar no novo presidente da Câmara de Vereadores.
Como votarão os atuais vereadores da oposição? São quatro, mas Muriçoca votará a seu favor, claro. Marta, como já disse, deve votar contra. E os outros dois? Zé Martins e Eduardo votarão contra ou a favor, de antemão sabedores que serão traídos por Muriçoca? Para Eduardo, a saída de Muriçoca o colocará na primeira suplência. Para Zé Martins, é mais confiável ter Marta na Câmara no próximo ano do que o Muriçoca, que seguirá as ordens do chefe Joaquim.
Joaquim me garantiu que não vai se meter nessa berlinda indecorosa. Mesmo assim, façamos pressão sobre os vereadores porque votar a favor das contas de Muriçoca é depor contra todos os homens de bem que votaram em Joaquim acreditando em mudanças. Votar a favor é dar um tiro de misericórdia na decência humana.
Nunca mais haverá no mundo um ano tão bom. Pode até haver anos melhores, mas jamais será a mesma coisa. Parecia que a terra (á nossa terra, feinha, cheia de altos e baixos, esconsos, areia, pedregulho e massapê) estava explodindo em beleza. E nós todos acordávamos cantando, muito antes do sol raiar, passávamos o dia trabalhando e cantando e logo depois do pôr-do-sol desmaiávamos em qualquer canto e adormecíamos, contentes da vida.
Até me esqueci da escola, a coisa que mais gostava. Todos se esqueceram de tudo. Agora dava gosto trabalhar.
Os pés de milho cresciam desembestados, lançavam pendões e espigas imensas. Os pés de feijão explodiam as vagens do nosso sustento, num abrir e fechar de olhos. Toda a plantação parecia nos compreender, parecia compartilhar de um destino comum, uma festa comum, feito gente. O mundo era verde. Que mais podíamos desejar?
E assim foi até a hora de arrancar o feijão e empilhá-lo numa seva tão grande que nós, os meninos, pensávamos que ia tocar nas nuvens. Nossos braços seriam bastantes para bater todo aquele feijão? Papai disse que só íamos ter trabalho daí a uma semana e aí é que ia ser o grande pagode. Era quando a gente ia bater o feijão e iria medi-lo, para saber o resultado exato de toda aquela bonança. Não faltou quem fizesse suas apostas: uns diziam que ia dar trinta sacos, outros achavam que era cinqüenta, outros falavam em oitenta.
No dia seguinte voltei para a escola. Pelo caminho também fazia os meus cálculos. Para mim, todos estavam enganados. Ia ser cem sacos. Daí para mais. Era só o que eu pensava, enquanto explicava à professora por que havia faltado tanto tempo. Ela disse que assim eu ia perder o ano e eu lhe disse que foi assim que ganhei um ano. E quando deu meio-dia e a professora disse que podíamos ir, saí correndo. Corri até ficar com as tripas saindo pela boca, a língua parecendo que ia se arrastar pelo chão. Para quem vem da rua, há uma ladeira muito comprida e só no fim começa a cerca que separa o nosso pasto da estrada. E foi logo ali, bem no comecinho da cerca, que eu vi a maior desgraça do mundo: o feijão havia desaparecido. Em seu lugar, o que havia era uma nuvem preta, subindo do chão para o céu, como um arroto de Satanás na cara de Deus. Dentro da fumaça, uma língua de fogo devorava todo o nosso feijão.
Durante uma eternidade, só se falou nisso: que Deus põe e o diabo dispõe.
E eu vi os olhos da minha mãe ficarem muito esquisitos, vi minha mãe arrancando os cabelos com a mesma força com que antes havia arrancado os pés de feijão:
- Quem será que foi o desgraçado que fez uma coisa dessas? Que infeliz pode ter sido?
E vi os meninos conversarem só com os pensamentos e vi o sofrimento se enrugar na cara chamuscada do meu pai, ele que não dizia nada e de vez em quando levantava o chapéu e coçava a cabeça. E vi a cara de boi capado dos trabalhadores e minha mãe falando, falando, falando e eu achando que era melhor se ela calasse a boca.
À tardinha os meninos saíram para o terreiro e ficaram por ali mesmo, jogados, como uns pintos molhados. A voz da minha mãe continuava balançando as telhas do avarandado. Sentado em seu banco de sempre, meu pai era um mudo. Isso nos atormentava um bocado.
Fui o primeiro a ter coragem de ir até lá. Como a gente podia ver lá de cima, da porta da casa, não havia sobrado nada. Um vento leve soprava as cinzas e era tudo. Quando voltei, papai estava falando.
- Ainda temos um feijãozinho-de-corda no quintal das bananeiras, não temos? Ainda temos o quintal das bananeiras, não temos? Ainda temos o milho para quebrar, despalhar, bater e encher o paiol, não temos? Como se diz, Deus tira os anéis, mas deixa os dedos.
E disse mais:
- Agora não se pensa mais nisso, não se fala mais nisso. Acabou. Então eu pensei: O velho está certo.
Eu já sabia que quando as chuvas voltassem, lá estaria ele, plantando um novo pé de feijão.
Fui apresentado a ele pelo “hermano” Herval, outro junquês perdido nas lides soteropolitanas, em pleno bate-papo virtual. J. Godoy é apresentador de um programa romântico e podemos encontrá-lo quebrando o silêncio e a solidão noturna via ondas hertzianas ou cibernéticas, pelo site da Rádio Pombal FM. A tecnologia dos últimos tempos nos permite ouvir em tempo real as emissoras de rádio instaladas nos confins. E Pombal saiu à frente das outras rádios interioranas levando sua programação para todo o mundo. Graças a esse recurso tecnológico, passo as noites ouvindo a boa programação do nosso conterrâneo, como também, interagindo, ao solicitar pelo MSN as músicas que quero ouvir enquanto trabalho no meu micro. Ele, sempre solícito, além de colocar as músicas, ainda me saúda no ar, falando o local onde estou.
Não me lembro do nome do programa, mas vai ao ar de segunda à sexta-feira das 21 horas a uma da manhã. Pode-se ouvir pelo site http://www.pombalfm.com.br e interagir pelo MSN do nosso amigo, que deixarei aqui e sei que o mesmo não vai se opor, vez que, sendo ele um homem que trabalha com o público, vai se sentir honrado em tê-lo como ouvinte e, principalmente, participar da sua grade programática. Eis seu MSN: jgodoyfm@hotmail.com
Aproveite o programa do Godoy para enviar mensagens rápidas para seus amigos naquelas plagas ou em outras. Ou então combinem se encontrar no ar e compartilhar da programação, que, diga-se de passagem, é uma das melhores e o nosso amigo e conterrâneo está de parabéns pelo bom gosto.
Temos outro radialista da terra perdido na deselegância discreta de Sampa: Eddy Luem, também compositor e músico. Não sei qual a rádio que ele trabalha, nem horário, e pediria até que ele enviasse o endereço eletrônico caso a mesma tenha programação on line. Seu trabalho como artista da música pode ser visto no seu blog http://eddyluemshow.blogspot.com
Como a otimização e redução de custo das empresas de radiodifusão estão acabando com a profissão do apresentador, principalmente nas freqüências moduladas onde chamam de “adequação ao modernismo tecnológico”, poder ouvir a voz de um locutor ao vivo é viajar a um passado não longínquo onde interagir ao vivo via telefone, ou então enviar mensagens através de cartas, era muito mais que participar: era sentir-se prestigiado pelo apresentador.
Ao indeferir a liminar que pedia a anulação das eleições indiretas no arraial do Junco, o juiz de Olindina jogou um caminhão de água gelada na relação incestuosa da Prefeitura com os fornecedores durante o período eleitoral, onde se escancarou acintosamente a corrupção e o apadrinhamento político.
Zé Martins deverá ter noites e noites de insônia. E pesadelos, quando conseguir abraçar Morfeu. Como vai se safar dessa? deve se indagar incessantemente. Muita gente vendeu no crediário confiando na vitória de Antonio ou que a Prefeitura fosse honrar a dívida, ainda que escusa, nos poucos meses que faltam para o término do exercício atual. Muitos também fizeram “pindura” achando que continuariam a receber da viúva sem dar um prego na barra de sabão. Outros se candidataram, se comprometeram, (ou melhor: comprometeram o dinheiro da viúva) e agora estão com a corda no pescoço. Essa liminar era a última esperança que agora morre deixando centenas de órfãos em rios de lágrimas.
A população do arraial do Junco é composta, em sua maioria, de gente decente e por isso somente os filhotinhos de marajás estão a reclamar. Ou aqueles que, de uma forma ou de outra, se locupletavam com o manequim de prefeito. Até entrar na Justiça os comissionados comem quietos entraram, pensando legitimar a ilegalidade praticada no apagar das luzes do governo Martins. Quebraram a cara. Cara de pau, diga-se de passagem. Ganhavam sem trabalhar e ainda queriam continuar mamando.
Mas a imoralidade não pára por aí. Os concursados da Prefeitura, eleitores declarados de Antonio, recebiam gratificação para fazer extra com politicagem ou ameaçar os contrários. Diziam-se os salvadores da pátria enquanto metiam a mão na cumbuca. Mas, de uma canetada só, Givaldo acabou a farra das gratificações, algumas até poderiam ser justas e merecidas, mas, estranhamente, só as tinha quem votava no candidato do prefeito. E agora o que não falta é gente chorando pelos cantos, blasfemando contra a democracia e maldizendo os eleitores do velho e sofrido arraial do Junco que votaram contra esse estado de coisa.
Não havendo mais como sangrar os cofres públicos, com certeza hoje vai ter rebu no mangue.