Poema em parceria com a poetisa mineira Mônica Cordeiro, que não viveu esses tempos de dor, mas conhece a História do Brasil. Obrigado, Mônica!
Na vivência da ternura utópica
Acalorados sonhos e ideais indefinidos.
Quimeras de pétalas de rosas
Ao vento...
Um estímulo:
Às lavas dos sentidos.
Ao Norte,
clarões de chumbo abreviando a vida.
Ao Sul,
porões obscuros e choros incontritos.
Ao Centro,
mãos metafóricas arrancando o grito,
de pálidos rostos e corações aflitos:
- Liberdade!
Nas pontas de lâminas de aço
Vozes sufocadas
Ressurgiram tenazes
Num grito contra a ditadura.
Na multidão,
cerrando os punhos,
Bradando a liberdade
sem perder sua ternura, ela...
- Hola, mi comandante! - disseste em serena delicadeza.
Abraçou-o ternamente, beijou seus lábios, sorriu.
Ensarilhou ele, as armas naquele infinito instante...
Entre gás de choro, gritos de guerra e dor, ela sumiu.
...
No ardor da batalha travada
Entre bombas e dentes caninos
Foi arrastada para o porão.
Não sentia os braços nem pernas.
Mãos deslizavam nas costas
Delineando as curvas do corpo trêmulo
Os calos arranhavam de modo conjunto
Em toques grosseiros, à força
A resistência era fruto do imaginário
Pois o corpo estava exangue.
Padecia no purgatório entre armas.
Os calibres formavam molduras
Lado a lado empilhados.
Numa sala escura, gotas de água gelada,
Homens de calças arriadas
E sangue!
Corpos violados sob o comando de vozes arbitrárias
Um sussurro disfarçado
E o ódio era o bálsamo derramado
Nas entranhas, de forma brutal,
Em movimentos de vai e vem
Sobrepostos por movimentos de entrada e saída.
O suor na pele,
Saliva e cuspe lançados na face,
O olhar de dominação.
Os restos de dor espalhados
Em lágrimas discretas
Sem som...
Silêncio mortal
Na Comissão da Verdade.
Era chegado o fim de sua procura:
As fotos espalhadas em diversos ângulos...
O pau de arara...
A retirada do capuz como oferta de insegurança...
A tortura, o estupro,
A morte como redenção.
quarta-feira, 15 de maio de 2019
segunda-feira, 13 de maio de 2019
Treze de Maio
Treze de maio, mês das noivas, mês de Maria. Lá no Junco das minhas recordações era mês de se comer e beber refrigerante de graça nos casamentos que pululavam. Não que fosse convidado. Não. Ninguém convidava pirralho para os comes e bebes. Nosso trunfo era Jesus de Enock - que Deus o tenha em bom lugar. Ele era coroinha e sabia de todos casamentos e batizados que aconteceriam na igreja.
Os casamentos de lá não tinham luxo. E a cidade só tinha luz até às vinte e duas horas. Acabava a cerimônia, os noivos caminhavam em cortejo até a casa onde haveria a recepção. Para nós, os moleques de rua, era fácil fazer cara de bom moço e se passar por filho de algum convidado.
Maio também era mês de trezena a Nossa Senhora de Fátima. No dia treze era o auge, e a igreja lotava. Maria de Venança, a soprano, e tia Naná, contralto, puxavam o coro das centenas de timbres e tessituras das vozes masculinas e femininas cantando "A treze de maio na cova da Iria..." e de repente um moleque se manifesta:
- O que é Iria, mamãe?
- Cala a boca, fio do Cão! Vai levar um cascudo!
O moço da frente, penalizado, senhor simples, da roça, chapéu de palha na mão, explicava baixinho para não atrapalhar o hino:
- Iria é como se uma pessoa fosse e não fosse, entendeu?
- E a cova?
- É porque Jesus quando morreu, iria pra cova, mas colocaram ele numa gruta porque, se Ele tivesse sido enterrado, não poderia ressuscitar.
E assim, aquele povo temente a Deus e devoto de Nossa Senhora do Amparo, preenchia de sonoridade o silêncio assustador da noite de Fátima no sertão.
E hoje ainda ecoam nos meus tímpanos e na minha alma aquelas vozes sincronicamente melódicas a cantar louvores de fé e esperança numa boa colheita, pois era da terra que eles tiravam o seu parco sustento.
domingo, 7 de abril de 2019
De irmão para irmão
Eram dois irmãos. Um, cuidava da roça; o outro, de tirar petróleo das profundezas terrestres. Um dia se associaram: iriam plantar feijão. Um, dava a terra; o outro, as sementes e o custeio. E no dia aprazado para a colheita, o petroleiro alugou um caminhão para transportar a parte que lhe cabia. Ao chegar na roça, uma surpresa: o gado do vizinho invadiu a plantação e destruiu a sua parte, informou o seu irmão.
terça-feira, 12 de março de 2019
Aos que ousaram desafiar as baionetas caladas
Não fomos à luta por desarmonia de sentimentos ordinários. Nem fizemos acontecer por amor a correntes políticas de ocasião. Não colocamos a cabeça a prêmio por amor à ideologia canalha. Fizemos pela nossa alma dilacerada. E, principalmente, fizemos porque o instante exigia.
sábado, 5 de janeiro de 2019
Quer namorar comigo? (II)
Quer namorar comigo? era a pergunta mais
difícil de se fazer e a mais fácil de se responder, mas as garotas
faziam beicinhos, charminho, e em vez de um sim ou não, preferiam outra
pergunta:
- Posso responder daqui a cinco dias? É que vou pensar.
E pensava, pensava, os cinco dias pareciam cinco séculos, e no sexto a resposta tão ansiosamente esperada:
- Posso pensar mais um pouco?
E quando vinha um sim, o mundo desabava em felicidade. Primeiro pegava timidamente na mão. Depois dava um abraço. E quando tudo caminhava para a normalidade de um romance, ela sentenciava:
- Beijo só depois que você pedir ao meu pai para namorar na porta!
Deus do Céu, que tortura! Mil vezes o pau-de-arara aplicado pela ditadura!
- É pegar ou largar! Não sou moça de namorar na rua pra ficar falada.
- Eu pego!
E lá vai o Romeu numa noite de sábado falar com o inquisidor. Pernas bambas, lábios ressabiados, coração acelerado.
- Então, o que o senhor pretende para a minha filha?
Não pretendo nada, só dar uns amassos. Ainda nem fiz dezoito anos. Será que esse coroa nunca foi adolescente?
- Eu pretendo me casar com ela quando me formar.
- Está bem. Mas não deixe de estudar pra ficar namorando.
Vencido uma etapa, beijos de boca, beijos de língua, nascia o desejo de ir avante. Pegar nos seios da namorada era o suprassumo da masculinidade. Eram os famosos amassos. Sem eles, namoro nenhum tinha credibilidade
- Nos seios não, benzinho! Só depois de casar.
Ele não iria esperar tanto tempo. Insistia todo santo dia, até que numa noite de lua cheia ela aquiesceu:
- Está bem, eu deixo, mas só e somente só se você me prometer de que não vai contar pra ninguém.
- Ah! Então não quero!
- Por que não, meu amor?
- Porque contar pros amigos é o mais gostoso.
- Posso responder daqui a cinco dias? É que vou pensar.
E pensava, pensava, os cinco dias pareciam cinco séculos, e no sexto a resposta tão ansiosamente esperada:
- Posso pensar mais um pouco?
E quando vinha um sim, o mundo desabava em felicidade. Primeiro pegava timidamente na mão. Depois dava um abraço. E quando tudo caminhava para a normalidade de um romance, ela sentenciava:
- Beijo só depois que você pedir ao meu pai para namorar na porta!
Deus do Céu, que tortura! Mil vezes o pau-de-arara aplicado pela ditadura!
- É pegar ou largar! Não sou moça de namorar na rua pra ficar falada.
- Eu pego!
E lá vai o Romeu numa noite de sábado falar com o inquisidor. Pernas bambas, lábios ressabiados, coração acelerado.
- Então, o que o senhor pretende para a minha filha?
Não pretendo nada, só dar uns amassos. Ainda nem fiz dezoito anos. Será que esse coroa nunca foi adolescente?
- Eu pretendo me casar com ela quando me formar.
- Está bem. Mas não deixe de estudar pra ficar namorando.
Vencido uma etapa, beijos de boca, beijos de língua, nascia o desejo de ir avante. Pegar nos seios da namorada era o suprassumo da masculinidade. Eram os famosos amassos. Sem eles, namoro nenhum tinha credibilidade
- Nos seios não, benzinho! Só depois de casar.
Ele não iria esperar tanto tempo. Insistia todo santo dia, até que numa noite de lua cheia ela aquiesceu:
- Está bem, eu deixo, mas só e somente só se você me prometer de que não vai contar pra ninguém.
- Ah! Então não quero!
- Por que não, meu amor?
- Porque contar pros amigos é o mais gostoso.
Quer namorar comigo?
Já que existe a probabilidade de retornamos
aos tempos medievais, há coisas do século passado que adoraria que o
Coiso trouxesse de volta para que os coxinhas solteiros sentissem na
pele a ditadura das garotas sobre os garotos na hora da paquera. Nada de
peguete ou ficante, piriguete ou santinha do pau oco, muito menos
sirigaitice. Nada de se ir ao cinema sem levar à tiracolo o irmão
pirralho da pretendente. Na roda gigante, cada um na lateral e o
pirralho no meio (isso quando a mãe tinha medo de altura) chupando
algodão doce. E nada ainda estava certo. Era só distrações para
engabelar a garota enquanto a resposta de uma proposta feita dias antes
não chegava.
- Quer namorar comigo?
- Não sei... Posso pensar um pouco?
- Quanto tempo?
- Cinco dias.
E o domingo no parque era o quinto dia aprazado para o sim ou o não, duas palavrinhas com o poder de transformar ou destruir o mundo. E a garota era a única com a chave das ilusões. No raro momento de "enfim sós", hora de tirar a prova dos nove:
- E aí, pensou na resposta?
- Que resposta?
- Se quer namorar comigo.
- Ah! Nem tive tempo de pensar! Posso lhe responder daqui a dez dias?
Que fazer!? Enquanto há vida, há esperança. Pior deve ser na guerra. Enquanto isso, a roda gigante sobe e desce em trajetória circular tal qual a Terra em rotação. Quando para no alto, o Diabo se apodera dos desejos, mas falta coragem para jogar o pirralho no vazio. O pretendente olha a mocinha com olhar de peixe morto, apelativo, e suspira resignado. Sente vontade de beijá-la, tirar o vermelho da maçã do amor manchando os lábios, mas o pirralho tá no meio comendo algodão doce, atrapalhando o romance. A roda gigante para, eles descem, os pais da garota aparecem e ele vai para casa dormir sem saber a resposta. É dia de Reis e no outro dia o parque estará desmontado e seguindo viagem na direção dos sonhos. E com muita sorte, no natal seguinte, a garota já terá a resposta.
- Quer namorar comigo?
- Não sei... Posso pensar um pouco?
- Quanto tempo?
- Cinco dias.
E o domingo no parque era o quinto dia aprazado para o sim ou o não, duas palavrinhas com o poder de transformar ou destruir o mundo. E a garota era a única com a chave das ilusões. No raro momento de "enfim sós", hora de tirar a prova dos nove:
- E aí, pensou na resposta?
- Que resposta?
- Se quer namorar comigo.
- Ah! Nem tive tempo de pensar! Posso lhe responder daqui a dez dias?
Que fazer!? Enquanto há vida, há esperança. Pior deve ser na guerra. Enquanto isso, a roda gigante sobe e desce em trajetória circular tal qual a Terra em rotação. Quando para no alto, o Diabo se apodera dos desejos, mas falta coragem para jogar o pirralho no vazio. O pretendente olha a mocinha com olhar de peixe morto, apelativo, e suspira resignado. Sente vontade de beijá-la, tirar o vermelho da maçã do amor manchando os lábios, mas o pirralho tá no meio comendo algodão doce, atrapalhando o romance. A roda gigante para, eles descem, os pais da garota aparecem e ele vai para casa dormir sem saber a resposta. É dia de Reis e no outro dia o parque estará desmontado e seguindo viagem na direção dos sonhos. E com muita sorte, no natal seguinte, a garota já terá a resposta.
Menino que fui menina
Quando eu estava para vir ao mundo, a minha
mãe quis que eu nascesse igual a Jesus Cristo. Na hora do parto mandou
chamar a parteira Tindole e correu para o curral. E assim, conforme as
Sagradas Escrituras, o meu berço foi uma manjedoura, que lá no Junco era
conhecida como "coxo". Como não havia roupa de príncipe para me
vestir, ela me cobriu com uma toalha vermelha comprada na quermesse do
Natal para ajudar nas obras da igreja. Quando comecei a caminhar com as
próprias pernas (perdoem o pleonasmo, pois, afora os seguidores do
Cramulhão, todo mundo caminha com as próprias pernas, por isso se faz
necessário reforçar a ideia para não me confundirem com os sem pernas) a
minha mãe me olhou carinhosamente, me abraçou chorando e disse:
- Vai, meu filho, ser guache na vida!
E eis-me aqui, séculos depois, refletindo sobre o poder alucinógeno do chá da goiabeira e da capacidade de destruição do cérebro dos seguidores desse que não se deve falar o nome. São tão ignorantes que não sabem que acabar com a ideologia de gênero é justamente destruir esse conceito arcaico de que menino veste azul e menina veste rosa. Acabar com ideologia de gênero é pôr a pique essa história de que menino brinca de bola e menina de boneca.
E viva Marta, a rainha do futebol!
- Vai, meu filho, ser guache na vida!
E eis-me aqui, séculos depois, refletindo sobre o poder alucinógeno do chá da goiabeira e da capacidade de destruição do cérebro dos seguidores desse que não se deve falar o nome. São tão ignorantes que não sabem que acabar com a ideologia de gênero é justamente destruir esse conceito arcaico de que menino veste azul e menina veste rosa. Acabar com ideologia de gênero é pôr a pique essa história de que menino brinca de bola e menina de boneca.
E viva Marta, a rainha do futebol!
Eu vi Jesus
Hoje eu vi Jesus. É difícil de acreditar, mas vi Jesus de Nazaré. Por
coincidência, ele estava encostado em um pé de goiabeira, comendo umas
goiabas amarelinhas e que pareciam saborosas, pois Jesus não parava de
comê-las. Satisfação total. Até babava e lambia os beiços. Fiquei compenetrado,
em êxtase, ao vê-lo na minha frente em carne e osso. Parei o carro, desci e me ajoelhei aos seus pés em súplica de milagre:
- Jesus, pelo amor do pai e do espírito santo, atende a um pedido meu!
Ele me olhou com estranheza e me falou com uma voz de pai ralhando com o filho:
- Nem meio pedido! A borracharia já fechou e agora eu não conserto furo de pneu de senhor ninguém! Logo ali na frente tem outra, vá lá e me deixe comer minhas goiabas sossegado.
Quer saber? Nunca confie na solidariedade de borracheiro de Nazaré das Farinhas.
terça-feira, 1 de janeiro de 2019
Como descobrir se é amor o que você sente
Se ao sentar à mesa com o seu namorado o seu olhar de peixe morto
lacrimejar de emoção, seu coração acelerar em ritmo de samba do crioulo
doido na terça-feira de carnaval, seu estômago revirar como nau
desgovernada em tempestade em alto-mar, suas pernas fraquejarem em
firmeza do andar de bêbado... sorria! Isso que você sente não é amor.
Isso é o Sazon apimentado que sua sogra colocou na comida. Mas se depois
que a SAMU chegar e lhe levar para o pronto-socorro superlotado e lhe
deixar por engano numa unidade de doenças infecciosas, você continuar
achando que ela ainda é a melhor sogra do mundo, aí, sim, podemos dizer
com toda a certeza de que isso que você sente NÃO é amor. É loucura. E
você precisa urgentemente pedir transferência para o setor de
psiquiatria.
quinta-feira, 27 de dezembro de 2018
Deixa que eu pago!
Queixava-se do assédio ou cobranças sem a contrapartida. Nenhum homem
lhe perguntava quando vencia sua conta de luz ou outra conta qualquer.
Exigiam, exigiam sem nenhum retorno. No dia de Ação de Graças um milagre
aconteceu:
- Quando vence seu condomínio, gata?
Aleluia! Finalmente apareceu o homem da sua vida! Agora era fazer charminho e marcar a data do casamento.
- No dia quinze, amore. Por quê?
- Nada. Então só venho lhe ver depois do dia dezesseis.
- Quando vence seu condomínio, gata?
Aleluia! Finalmente apareceu o homem da sua vida! Agora era fazer charminho e marcar a data do casamento.
- No dia quinze, amore. Por quê?
- Nada. Então só venho lhe ver depois do dia dezesseis.
sábado, 22 de dezembro de 2018
Então é Natal
Não gosto de Papai Noel. Nem
do jingolbéu. Os sinos da minha infância faziam ding-dong. Ding era o repique,
dizia o sineiro aos meninos amarelos de pés descalços. Na véspera do Natal o
galo cantava e o sino fazia bléim, bléim e o padre chegava na porta da igreja e
anunciava:
- Cristo nasceu!
- Aonde?
- Em Belém.
- E onde fica isso?
- No Pará.
- E onde fica o Pará?
- No cu da sua mãe!
- No seu! E perdeu o dízimo!
E o povo seguia em procissão
para ver a lapinha de tia Pureza, tão pura quanto o nome, e a todos recebia com
um largo sorriso no rosto. Era a única lapinha que merecia ser visitada. Não
porque as outras não prestassem, não era nada disso. É porque não havia outras.
O povo não era chegado a certas tradições consumistas. O Natal era só um motivo
para se ir à missa do galo. Enquanto isso, os solteiros se divertiam na paquera
num parque mambembe que sempre aparecia.
Quando o sino tocava três vezes
era hora de se ir à missa. O padre aproveitava o momento fraterno para contar o
nascimento de Jesus numa manjedoura e a matança que Herodes promoveu. O povo
chorava penalizado das criancinhas passadas a facão, mas logo esquecia quando
os Reis Magos chegavam com presentes. Presente é presente, mesmo não servindo
para nada, como era o caso da mirra e do incenso. Essa era a parte que o padre mais gostava de
contar porque comovia os fiéis e eles não mediam sacrifícios na hora de
colaborar com o enxoval do menino santo. E foi num momento assim que o padre se
empolgou e revelou um dos mistérios de Deus:
- Imaginem que castigo para
uma criança ter que nascer num coxo de se colocar comida pra cavalo.
- Coxo?
- Sim. Coxo. Manjedoura é
coxo.
- Que padre mentiroso da gota
serena! O rei dos reis ia nascer num coxo?! O senhor é um herege, um comunista!
Quem nasceu num coxo foi a sua mãe! E me dê meu dinheiro de volta que não vou
ficar num conluio com comunista numa noite de Natal!
Estava formada a confusão. O
sacristão, que tinha a mesma cara do padre, não gostou da ofensa à mãe do sacerdote
e meteu o castiçal na cabeça da ovelha rebelde, que caiu desacordada e jorrando
sangue. O delegado, que estava na missa, deu voz de prisão ao sacristão, o
padre não gostou e chamou o delegado de “chumbeta de Belzebu”. Sem alternativa,
o delegado levou o padre também preso, por desacato à autoridade. A minha mãe,
que a tudo assistia horrorizada, fez pelo-sinal, me pegou nos braços, me fez
entrar na Rural da Prefeitura e me levou para a emergência médica antes que eu
tivesse uma hemorragia.
sábado, 25 de agosto de 2018
Cristo já voltou
Jesus resolveu descer à Terra novamente e, aqui chegando, se disfarçou de médico. Vestiu branco, colocou avental e entrou no primeiro hospital que encontrou. Mandou o médico plantonista embora e chamou o primeiro paciente. Entrou um paralítico na cadeira de rodas. Jesus olhou para ele e ordenou:
- Levanta-te e vai embora!
O paralítico se levantou e saiu empurrando sua cadeira de rodas. Na sala, um curioso quis saber como era o novo médico:
- É igual aos outros. Nem me examinou. Assim que entrei me mandou levantar e ir embora. São todos uns enrolões!
sábado, 18 de agosto de 2018
A mulher perfeita
Ele vê uma mulher perfeita desfilando pela calçada; corpo escultural,
sensualidade de ninfa e quando ela deixa cair o lenço dois passos
adiante, ele diz:
- Ei... fofinha!
Ela se abaixa bruscamente, recolhe o lenço à bolsa, vira para trás e diz:
- Fofinha é a puta que lhe pariu!
E segue em frente com seu andar provocante em busca de uma alma que saiba a diferença entre um corpo de mulher e uma almofada.
- Ei... fofinha!
Ela se abaixa bruscamente, recolhe o lenço à bolsa, vira para trás e diz:
- Fofinha é a puta que lhe pariu!
E segue em frente com seu andar provocante em busca de uma alma que saiba a diferença entre um corpo de mulher e uma almofada.
A primeira vez a gente nunca esquece
Era a primeira vez que ia ao brega. Na parede, a tabela de preços:
"Sem sacanagem - R$ 30,00"
"Com sacanagem - R$ 100,00"
Conferiu a carteira e optou pelo último. Com sacanagem é melhor. Pagou e adentrou um corredor que lhe indicaram. Havia uma porta para outro corredor, e mais outra e quando abriu a terceira, viu que estava na rua. A porta fechou atrás dele. Um grito de revolta quebrou o silêncio da noite:
- Mas que sacanagem!!!
"Sem sacanagem - R$ 30,00"
"Com sacanagem - R$ 100,00"
Conferiu a carteira e optou pelo último. Com sacanagem é melhor. Pagou e adentrou um corredor que lhe indicaram. Havia uma porta para outro corredor, e mais outra e quando abriu a terceira, viu que estava na rua. A porta fechou atrás dele. Um grito de revolta quebrou o silêncio da noite:
- Mas que sacanagem!!!
Em caminho de paca...
- Está em Campo Grande?
- Estou. E vim com meu namorado.
- Então dê cabeça de pacu a ele.
- Certo, tia.
...
- E aí, seu namorado gostou?
- De que, tia?
- Da cabeça de pacu.
- Xiiiii! E era pacu?! Entendi errado e dei outra coisa!
- Estou. E vim com meu namorado.
- Então dê cabeça de pacu a ele.
- Certo, tia.
...
- E aí, seu namorado gostou?
- De que, tia?
- Da cabeça de pacu.
- Xiiiii! E era pacu?! Entendi errado e dei outra coisa!
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