terça-feira, 4 de maio de 2010

Até qualquer dia, amigo - Edna Lopes



A arte de viver

É simplesmente a arte de conviver...

Simplesmente, disse eu?

Mas como é difícil!

Mário Quintana

Durante quase toda esta semana, estive fora de casa e não sei se por cansaço ou mesmo por impaciência, foi uma semana de insônia, de inquietação. Estar fora de minha vida por vezes me põe irritada, desassossegada.

Acordei no meio de uma dessas madrugadas sobressaltada. No meu sonho, meu filho chorava e eu não conseguia consolá-lo. Passei uma manhã terrível, angustiada.Tentei controlar minha ansiedade pois se algo de ruim houvesse acontecido a ele, já teriam me ligado. Esperei o horário de almoço para ligar e ouvir a voz de meu filho.

No telefone, aliviada em saber que ele estava em casa e bem, ouvi de meu companheiro a notícia da morte de um amigo muito querido. Desabei, pois por mais que entendamos que esse é o movimento da vida, a partida de pessoas caras sempre nos causa tristeza, nos emociona.

Esse amigo tinha um coração proporcional ao seu um metro e noventa. Quando tive Vinícius estava concluindo uma das especializações e ele aceitou ser meu orientador mesmo não sendo o tema de minha monografia seu campo de estudo. Aceitou para me facilitar a vida, já que estava amamentando, de licença maternidade e não me agradava sair muito de casa, ir á Universidade para acertar outro/a orientador/a.

Todos nós tínhamos um carinho muito especial por ele, por sua alma leve e boemia, por seu jeitão de menino grande, sempre pronto para uma boa conversa, uma farra. Dia desses meu filho e eu estávamos relembrando de algumas brincadeiras entre eles: pegava a cabeça de Vinícius entre suas mãos enormes e suspendia até o teto. Vini morria de rir e pedia sempre mais. Outra brincadeira era dependurar-se no pescoço dele e entrar no mar bravo, para mergulhar, pegar onda... Vini segurava-se em seus cabelos a La Sidney Magal e se divertia muito.

Uma saudade imensa em todos nós, seus amigos e amigas. Claudio Canuto, o nosso Magal foi um exemplo de doçura e gentileza e certamente estará sempre nas boas lembranças de nossa família, em nossos corações.

Da despedida, uma certeza: viver é um milagre, amar uma benção, ter amigos um privilégio. Agradeço a Deus cada minuto que me é dado o merecimento de poder usufruir da presença de seres tão especiais em minha vida, que me fazem aprender tanto, exercitar os sentimentos da paciência, da solidariedade, do convívio fraterno. Agradeço a quem me oportuniza ser mais gente a cada novo dia.

Até qualquer dia, amigo. Certeza que ainda a gente vai se encontrar...




Um comentário:

maria olimpia alves de melo disse...

Já tinha lido no Recanto e me emocionado. Li de novo, tornei a me emocionar.